Crash nas bolsas norte-americanas derruba Bovespa e dispara o dólar
Agência Estado
De São Paulo
O mercado entrou em pânico nesta sexta-feira. O índice da inflação norte-americana subiu 0,7% em março (veja no quadro ao lado), ante uma expectativa de alta de apenas 0,4%, provocando um rebuliço nas bolsas do mundo inteiro. O núcleo do índice ganhou 0,4%, o dobro da previsão (0,2%). O índice Dow Jones, da tradicional Nyse, derreteu 618 pontos a maior queda em pontos de sua história para fechar em 10.305 pontos. O Nasdaq despencou 355 pontos, também recorde histórico de queda, para 3.321 pontos. Aqui, a queda só não foi maior porque ontem a Bovespa já havia levado um tombo de 5%. Ontem, caiu mais 4,55%, para 14.794 pontos e acumulou perda nominal de 15,5% na semana. O volume financeiro em São Paulo somou R$ 935 milhões. Impacto maior sofreram as bolsas latino-americanas da Cidade do México (-7 93%) e Buenos Aires (-6,03%) . Na Europa, Londres caiu 2,81%; Frankfurt, -3,14%; e Paris, -3,17%.
Nenhuma ação do Ibovespa fechou em alta. No ranking das maiores baixas, houve a presença de setores variados da economia. Geração Tietê PN ficou na lanterninha, com perda de 12,38%. A ela se seguiram Inepar PN (-10,81%), Transmissão Paulista PN (-10,39%), Telepar PN (-10,3%) e Votorantim Celulose e Papel PN (-9,46%).
Ninguém arrisca palpites sobre o comportamento do mercado na segunda-feira. Existe a clara percepção de que deve haver um contingente enorme de pessoas físicas, nos Estados Unidos, literalmente quebradas. Isso porque estão sendo forçadas a vender suas posições, a qualquer preço, por causa das chamadas de margem. Por isso, o mercado agora prevê que o Nasdaq poderá buscar até os 2.800 pontos.
Quanto às ações sobre correção monetária plena do FGTS, o mercado esteve bem mais sereno ontem. Na avaliação de um banco estrangeiro, se o governo continuar perdendo parcialmente no julgamento, haverá necessidade de um esforço fiscal adicional, mas nada que leve ao desepero.
O mercado financeiro encerrou a semana no auge do nervosismo. O Nasdaq e o Dow Jones ampliaram as baixas e fecharam em níveis históricos de desvalorização. O câmbio, considerado a variável que absorve todo o choque das oscilações de humor do mercado, não resistiu e voltou subir intensamente. O dólar encerrou o dia cotado a R$ 1,7820, em alta de 0,17%, a maior cotação desde o dia 2 de fevereiro deste ano.
Antes de se acomodar nesse nível, no entanto, a moeda teve um repique e bateu na máxima de R$ 1,7950 o que teria levado o BC a atuar no mercado pedindo os spreads praticados pelos dealers, sinalizado aos players que alta estaria no limite aceitável pela autoridade monetária. No fim do dia, o BC confirmou que não há comunicado oficial a respeito do mercado de câmbio, o que significa que, de fato, não houve venda de moeda a fim de conter a alta.
A atuação do BC ajudou a conter a alta porque, segundo os operadores, houve ontem fluxo positivo de recursos. Um banco estrangeiro atuou com força na ponta de venda. Ninguém sabe ao certo que operação estaria sendo realizada. Mas operadores supõem que, com a moeda na máxima, o banco antecipou algum ingresso de recursos programado para os próximos dias.
Teria sido esse ingresso que derrubou a cotação do meio da tarde. O dólar chegou a inverter o sinal e ser cotado em queda por alguns minutos, até que, por conta do mau humor, retornou ao campo de valorização.





