A ação de crackers chegou a duas cidades na região de Cascavel (Região Oeste) e causou transtornos e prejuízos a uma empresa do ramo de laticínios e à prefeitura de uma das cidades. A ameaça chegou à empresa - sediada na cidade de Santa Lúcia -, via internet, quando em um domingo (7 de julho), o único funcionário que estava a trabalho acessou o link de um suposto vídeo de uma luta de Anderson Silva e abriu portas para um vírus que criptografou os dados do servidor da empresa. Como resgate, o criminoso pedia o pagamento de US$ 3 mil por meio de um serviço na web chamado Perfect Money.
As atividades da empresa ficaram comprometidas até o dia 24, quando foi resolvido realizar o pagamento solicitado. Feita a transação, a empresa recebeu a senha para descriptografar os dados "sequestrados". "Não restava outra solução", desabafou Eliézer Fidélis, contador da empresa. "Se alguém no Brasil tivesse quebrado a senha, teríamos pago a quantia para esta pessoa, e não para quem estava nos extorquindo."
A ameaça também chegou à prefeitura de Capitão Leônidas Marques, também na região de Cascavel. O controlador geral do município, Clodoaldo Dallazem, não soube dar informações mais aprofundadas sobre o caso, mas disse que um vírus também criptografou os dados da prefeitura, obrigando-a a ficar cerca de dez dias inativa. Agora, o setor de informática está trabalhando com o backup dos dados e apenas alguns setores da prefeitura continuam sem funcionar, diz o controlador. O contato com o vírus teria ocorrido no dia 18 de julho. A prefeitura, segundo ele, registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil e na Polícia Federal.
Em um fórum da Microsoft, pessoas do Brasil inteiro relatam o mesmo problema, trazido por um cracker que pode ser identificado apenas pelo nome Jack e pelo e-mail por meio do qual solicita o pagamento: [email protected].
A empresa de laticínio também registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil da cidade e na Polícia Federal de Cascavel. De acordo com o contador da empresa, o caso foi tratado pela Polícia Civil como estelionato. Conforme o delegado da Polícia Federal de Cascavel, Mozart Fuchs, esta foi a primeira denúncia do gênero recebida pela PF em todo o Brasil. A negociação com o cracker foi feita em um inglês "imperfeito", disse o delegado, e por este motivo não há como saber de qual País veio a ameaça.

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