Diretores da construtura C.R. Almeida deverão se reunir no início da próxima semana com representantes do Banco Central e do governo do estado do Mato Grosso para discutir a compra do Banco do Estado do Mato Grosso (Bemat). A confirmação do interesse em adquirir o banco foi dada ontem pela diretoria financeira da construtora. A compra do banco servirá para que a C.R. Almeida recupere parte do dinheiro que o governo matogrossense deve para ela.
O assistente da diretoria financiera da C.R. Almeida, Paulo Roberto de Oliveira, admitiu que a empresa protocolou um oficío no Banco Central confirmando a intenção de comprar o banco. O ofício foi apresentado no início desta semana. Oliveira disse que a compra deve acontecer em parceria com um banco privado, cujo nome precisa ser mantido em sigilo. ‘‘O que podemos adiantar é que a C.R. Almeida será a acionista majoritária na compra do banco’’, afirmou.
Oliveira adiantou que a empreiteira tem interesse no Bemat como alternativa para recuperar parte do dinheiro que o governo do Mato Grosso deve à empreiteira em razão de obras realizadas. Ele não quis revelar o montante da dívida a receber, sob alegação que isso poderia comprometer a comprar do banco em relação aos concorrentes interessados no banco.


Empresa quer
recuperar
dinheiro devido
pelo Estado


Com um patrimônio líquido de R$ 2 bilhões e com um faturamento anual de R$ 500 milhões, a C.R. Almeida quer ampliar mercado no Mato Grosso. A empresa já atua no Estado desde o início da década de 80. A empreiteira pavimentou mais de 15 rodovias estaduais e federais na região, entre elas a Cuiabá-Porto Velho, onde ganhou o maior lote da construção. A construtora fez ainda obras para construção de aeroportos e participou de projetos em assentamentos para o Incra. A empreiteira entrou no Estado através da Ebec-Engenharia Brasileira de Construção S.A., hoje empresa do grupo C.R. Almeida.
Segundo Oliveira, as negociações para a compra do Bemat iniciaram há dois anos, quando o governador Dante de Oliveira (PDT) propôs a privatização da instituição. Hoje, o banco está sob intervenção do Banco Central. A dívida seria de R$ 10 milhões. O atual presidente-interventor do Bemat é Rui Dias Brochieri.
O prazo do Regime de Administração Especial Temporária (Raet) do Bemat termina no dia 2 de fevereiro. O assistente da diretoria financeira da C.R. Almeida acredita que a compra do banco deve ser fechada no máximo até o final do mês. A empreiteira pretende manter o Bemat como banco de fomento, financiando a agroindústria do Estado.

mockup