C.R. Almeida quer comprar o Bemat
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de janeiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Diretores da construtura C.R. Almeida deverão se reunir no início da próxima semana com representantes do Banco Central e do governo do estado do Mato Grosso para discutir a compra do Banco do Estado do Mato Grosso (Bemat). A confirmação do interesse em adquirir o banco foi dada ontem pela diretoria financeira da construtora. A compra do banco servirá para que a C.R. Almeida recupere parte do dinheiro que o governo matogrossense deve para ela.
O assistente da diretoria financiera da C.R. Almeida, Paulo Roberto de Oliveira, admitiu que a empresa protocolou um oficío no Banco Central confirmando a intenção de comprar o banco. O ofício foi apresentado no início desta semana. Oliveira disse que a compra deve acontecer em parceria com um banco privado, cujo nome precisa ser mantido em sigilo. O que podemos adiantar é que a C.R. Almeida será a acionista majoritária na compra do banco, afirmou.
Oliveira adiantou que a empreiteira tem interesse no Bemat como alternativa para recuperar parte do dinheiro que o governo do Mato Grosso deve à empreiteira em razão de obras realizadas. Ele não quis revelar o montante da dívida a receber, sob alegação que isso poderia comprometer a comprar do banco em relação aos concorrentes interessados no banco.
Empresa quer
recuperar
dinheiro devido
pelo Estado
Com um patrimônio líquido de R$ 2 bilhões e com um faturamento anual de R$ 500 milhões, a C.R. Almeida quer ampliar mercado no Mato Grosso. A empresa já atua no Estado desde o início da década de 80. A empreiteira pavimentou mais de 15 rodovias estaduais e federais na região, entre elas a Cuiabá-Porto Velho, onde ganhou o maior lote da construção. A construtora fez ainda obras para construção de aeroportos e participou de projetos em assentamentos para o Incra. A empreiteira entrou no Estado através da Ebec-Engenharia Brasileira de Construção S.A., hoje empresa do grupo C.R. Almeida.
Segundo Oliveira, as negociações para a compra do Bemat iniciaram há dois anos, quando o governador Dante de Oliveira (PDT) propôs a privatização da instituição. Hoje, o banco está sob intervenção do Banco Central. A dívida seria de R$ 10 milhões. O atual presidente-interventor do Bemat é Rui Dias Brochieri.
O prazo do Regime de Administração Especial Temporária (Raet) do Bemat termina no dia 2 de fevereiro. O assistente da diretoria financeira da C.R. Almeida acredita que a compra do banco deve ser fechada no máximo até o final do mês. A empreiteira pretende manter o Bemat como banco de fomento, financiando a agroindústria do Estado.


