CPR, veja como funcionam as vendas no mercado futuro
Vânia Casado
De Curitiba
Com o fim do sistema de crédito rural farto e barato, como se referiu o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, os produtores terão que recorrer ao mercado para financiar a safra. Uma das alternativas é o mercado futuro da Bolsa Mercantil e Futuros.
Por enquanto o mecanismo mais utilizado e que vem se firmando como opção de crédito ao produtor é a CPR (Cédula do Produto Rural), comercializada em leilão na Bolsa. Com a venda da CPR, papel avalizado pelo Banco do Brasil, o produtor assume o compromisso da entrega futura. Ou seja, um produtor de soja vende a produção no período do pré-plantio, recebe à vista e só entrega a mercadoria quando colher.
Em alta Na avaliação da Superintendência do Banco do Brasil do Paraná, esse mecanismo de crédito tende a crescer porque reduz a dependência do crédito oficial, reduz a intermediação e a incerteza da comercialização.
Desde que foi implantada em 1997, o uso da CPR vem crescendo num rítmo surpreendente. Na safra 97/98, foram vendidos R$ 7,14 mihões em papéis CPR. Na safra 98/99 foram vendidos R$ 18,2 milhões e a expectativa para a safra 99/2000 é negociar R$ 40 milhões em CPR.
Entrega em abril Os recursos podem ser utilizados para a compra dos insumos e as práticas culturais da lavoura. O gerente da área rural do BB, Josemar Horst, disse que ontem foi feita CPR de soja a R$ 17,05/saca para entrega em abril de 2.000. O valor varia de acordo com as cotações de mercado e com o preço alcançado no leilão da Bolsa. Esse preço é travado hoje, independente do preço que vai vigorar no período da comercialização.
Para negociar a antecipação dos recursos e vender o papel (CPR) é preciso que haja um comprador, no caso da soja as empresas de moagem ou exportadoras. A empresa recebe a garantia do BB que vai receber a mercadoria na data contratada. Se o produtor não entregar o produto, por algum motivo, o banco como avalista vai ao mercado, compra o produto e entrega à empresa. Depois vai executar ou acionar os bens dados em garantia pelo produtor. Para recorrer à CPR, o produtor precisa oferecer bens ativos como garantia da operação. O BB recomenda ao produtor fazer um seguro da safra para proteção contra perdas provocadas por clima.
Equilíbrio O produtor pode vender apenas parte da produção. Neste caso ele vende a CPR no valor equivalente a 30% da produção, por exemplo, e com os recursos antecipados compra os insumos necessários para o plantio. Quando for negociar a venda da safra no período da comercialização, vai embolsar o resultado da venda sem dever nada a ninguém. Se os recursos correspondentes aos 30% vendidos não forem suficientes para cobrir o custeio, poderá negociar mais uma parte da safra e assim por diante.
Para participar dessas operações, o produtor tem que pagar as taxas de intermediação e aval. Se a negociação for de balcão, onde o produtor apresenta o comprador ou indústria compradora, vai pagar apenas a taxa que varia de 0,40% a 0,65% ao mês, de acordo com a fidelidade do cliente, sobre o valor da transação. Se não existe compradores no balcão, a CPR é negociada em leilão na Bolsa de Mercadorias, que também cobra sua taxa. Nesse caso o produtor paga a taxa inicial da CPR, mais 0,5% de taxa única cobrada do vendedor e 0,5% do comprador, para custear a operação do leilão. Se a CPR for a leilão e não for vendida, o produtor não paga nada.
Na BM&F, o vendedor assume os riscos da oscilação do mercado até o período da comercialização. A CPR é colocada em Bolsa de Mercados Futuros, onde os recursos são antecipados, mas é aberta uma conta-corrente em nome do vendedor. Se a o preço da mercadoria reagir ao valor contratado, o vendedor recebe o crédito no período da entrega da mercadoria. Se o preço cair, terá um débito a pagar. Com essa modalidade, não se trabalha em reais, só em quantidade física da produção. Além das taxas da CPR, o vendedor terá que pagar o custo do corretor e as taxas cobradas pela BM&F.





