Josoé de CarvalhoOrientaçãoSuperintendente do BB, Altino Ramos, fala na abertura do seminário sobre comercializaçãoO governo tem sinalizado a intenção de interferir o menos possível na comercialização agropecuária. Isso ficou bastante evidente no seminário promovido ontem pela Superintendência Regional do Banco do Brasil (BB) de Londrina em que foram abordados temas como Cédula do Produtor Rural (CPR), Leilão Eletrônico do BB, venda em bolsa de mercadorias e futuros. O evento reuniu operadores de mercado e produtores no Sindicato do Comércio Varejista. ‘‘O produtor precisa vender bem sua safra. Tudo indica que o governo não vai mais amparar o produtor com mecanismos como EGF e AGF’’, afirmou o gerente de CPR do BB, Edilson Alcântara.
Segundo Alcântara, a CPR vem para mudar o paradigma da comercialização agropecuária do País. ‘‘O produtor sempre olha para os preços passados para decidir o que plantar’’, comenta. O gerente do BB afirma que a CPR muda isso. O produtor, diz ele, terá de olhar para as expectativas de preços futuros para decidir o que plantar. Por isso, aconselha Alcântara, a informação sobre as tendências de mercado é fator determinante para se ter lucro com a produção agropecuária.
Através da CPR o produtor pode vender sua safra e fixar o preço futuro. Caso o preço do produto na hora do vencimento do contrato esteja acima do fixado, o produtor pode recomprar o produto pelo preço que vendeu e revender no mercado físico pelo preço do dia.
Durante o seminário, o gerente do BB-CPR, disse que a modalidade de comercialização conta com três novos atrativos. O primeiro, é a redução das exigências ao produtor para vender seu produto em CPR. Também foi criado o ‘‘Bônus Fidelidade’’ que vai beneficiar os produtores que operam a CPR com frequência. ‘‘A taxa de aval cobrada pelo BB terá desconto de 7,5% na segunda vez que o produtor faz CPR e pode chegar até 30%’, afirma.
Outra novidade, segundo Alcântara, é que a produção negociada em CPR estará coberta por um seguro contra problemas climáticos. ‘‘O produtor receberá o dinheiro mesmo que não tenha o produto por causa de perdas’’, comenta. Ele afirma que este seguro não vai encarecer o custo da operação.
Alcântara observa que o volume de negócios em CPR ainda é pequeno. ‘‘Mas tem de ser assim para que os produtores se habituem com a modalidade’’, comenta. No ano passado foram negociados R$ 100 milhões, a expectativa é de que este ano o volume dobre. Através desta modalidade é possível comercializar café, boi, soja e algodão. O produto que mais cresceu foi o café, que registrou um aumento de 500%. Alcântara afirma que até hoje tudo o que foi negociado em CPR foi comercializado nos leilões eletrônicos. Os leilões acontecem diariamente, e o sistema do BB interliga 29 bolsas de mercadorias do País e cerca de nove mil compradores.
A CPR, diz Alcântara, junto com mercado de opções e bolsa de mercadoria e futuros, será o novo modelo de financiamento da agropecuária. ‘‘E não teremos os problemas que experimentamos no passado, porque o produtor vai dever em produto e pagar em produtor’’, comentou.
Também participaram do seminário o coordenador do Setor Rural do BB-Distribuidor de Títulos e Valores Mobiliários, Francisco Castelo Branco e o gerente de classificação de café da BM&F, Aloísio Lusvaldi Barca.

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