Vânia Casado
De Curitiba
O Banco do Brasil está incluindo o seguro agrícola na taxa de aval da Cédula do Produto Rural (CPR), pela qual o produtor pode fazer a venda antecipada da produção. O seguro está sendo introduzido este mês como forma de tornar o papel mais atrativo na garantia da operação. O BB está se preparando para ficar mais competitivo a partir do ano 2000 quando a vinda de empresas multinacionais deverá agitar o mercado de seguro agrícola no país.
O banco fez parceria com a seguradora Aliança, que avaliza a CPR sem custo para o produtor, ao contrário do que era antes quando o produtor era orientado a fazer o seguro da safra vendida antecipadamente. Esse mecanismo já está sendo válido para as CPRs da safra 99/2000, que foram avalizadas informou o engenheiro agrônomo João Aguiar, analista de agronegócios da Superintendência do Banco do Brasil no Paraná.
Aguiar conta que o produtor rural não tem a cultura de fazer o seguro agrícola como ocorre em outras países, onde essa é uma das maiores preocupações do setor produtivo para assegurar a renda. Mesmo com a necessidade de fazer o seguro, em função da CPR, muitos produtores acabavam não fazendo e por isso o banco acabou ficando com muitos prejuízos porque ele garante a entrega da safra ao comprador. ‘‘Depois o banco executa as garantias dada pelo produtor, mas até resolver a pendência o banco fica com o problema’’, disse Aguiar.
João Aguiar explica que nessas operações, o seguro agrícola cobre apenas o que envolve a CPR e não para toda a lavoura. Ou seja se o produtor planta 100 hectares de soja e faz CPR em 50% da produção estimada, esse será o volume segurado. Mesmo assim, ainda tem algumas restrições, acrescentou. Se o laudo consta que a CPR nesse caso envolve em torno de 1.500 sacas de produto e ocorre uma frustração por decorrência climática e o produtor consegue colher 500 sacas, o seguro vai atingir somente as 1.000 sacas que restam e o produtor entrega as 500 sacas colhidas. ‘‘Tudo o que o produtor conseguir produzir terá que entregar ao banco e o seguro vai cobrir a parte que falta no laudo apresentado’’, explicou.
Para Aguiar, com essas alterações nas regras da CPR, o BB pode estar se antecipando à concorrência acirrada que deverá atingir o mercado de seguro agrícola a partir do ano 2.000. Ele informou que muitas empresas internacionais já manifestaram o interesse de se instalarem no Brasil, em função do mercado essencialmente atrativo e que está desprotegido, no Paraná onde o potencial é imenso. Aguiar citou o exemplo da Cosesp que está atuando no estado pelo terceiro ano e na safra 99/200 já segurou 173.000 ha de soja e 38.000 ha de milho no valor total de R$ 82 milhões.
A empresa de seguro agrícola mexicana Pro-Agro já está se instalando no país e deverá entrar em operação no ano que vem. Outras empresas estão seguindo seu rastro como a alemã Munchener e a EW Blanche. A empresa de resseguro Swiss Re, considerada a maior do mundo também está fortemente interessada em vir ao país. O interesse dessas multinacionais foi manifestado claramente durante Workshop sobre Seguro para o Agronegócio, promovido pela Esalq/USP e Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada.

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