ArquivoSuspensoSem os recursos da CPMF, investimentos previstos para agricultura ficam suspensos BRASÍLIA - A expectativa de que a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) iria ampliar significativamente os recursos para empréstimos à agricultura acabou se frustrando, pelo menos em janeiro. Segundo estimativas do ministro da Agricultura, Arlindo Porto, a cobrança do novo imposto poderia ampliar em cerca de R$ 1 bilhão o dinheiro para a agricultura.
O ministro contava com a transferência de até R$ 12 bilhões de recursos
dos fundos de curto prazo para as contas correntes. O dinheiro sairia desses fundos de porque eles perderam a atratividade com o início da cobrança da CPMF. Em alguns casos, a aplicação tem ‘‘rendimento’’ negativo.
Para Porto, boa parte dos recursos que sairiam dos fundos de curto prazo poderiam ser direcionados às contas correntes. O dinheiro acabaria beneficiando a agricultura porque os bancos estão obrigados a destinar 25% dos depósitos das contas correntes a empréstimos para o setor.
Expectativa adiada Ontem, entretanto, o Banco Central divulgou relatório que mostra que a média dos saldos de conta corrente aumentou apenas R$ 1,528 bilhão em janeiro.
Esse acréscimo faz a média dos depósitos nos últimos três meses crescer
cerca de R$ 800 milhões, o que significaria R$ 200 milhões adicionais para a agricultura.
O aumento de dinheiro para a agricultura vai depender da continuidade da migração de recursos para as contas correntes. Depois da cobrança da CPMF, saíram dos fundos de curto prazo para as contas correntes perto de R$ 3 bilhões. Parte desses recursos já teve impacto no crédito à agricultura em janeiro, e parte só deverá ter impacto nos meses seguintes.
O número é pequeno, se comparado com projeções do diretor de Política
Monetária do BC, Francisco Lopes, às vésperas do início da cobrança do
imposto.
Lopes estimava que até R$ 10 bilhões poderiam ser transferidos dos fundos
para contas correntes. Os fundos de curto prazo, entretanto, continuavam com um saldo considerável de aplicações. No dia 17, último dado disponível, havia R$ 11,387 bilhões nesses fundos. Assim, a ampliação dos recursos para a agricultura depende da continuidade da migração desses recursos.
Dinheiro na economia A quantidade de dinheiro na economia cresceu R$ 4,064 bilhões em janeiro, devido principalmente aos gastos do governo. O governo teve que financiar R$ 2,175 bilhões em gastos, principalmente pagamento de férias do funcionalismo e transferências a Estados e municípios. Os bancos tomaram em janeiro R$ 2,495 bilhões nas linhas de assistência de liquidez do BC. Os bancos recorrem a essas linhas do BC quando há falta momentânea de recursos no caixa para honrar compromissos.

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