CPMF engorda os fundos de 60 dias
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quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Agência Estado de Brasília 
Com a entrada em vigor da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), os fundos de investimento de 60 dias tornaram-se as grandes vedetes do mercado financeiro. Até o último dia 22, estes fundos acumulavam um saldo de 98,7 bilhões, o que significa um ganho de R$ 17,9 bilhões no mês. Ou seja, um crescimento patrimonial de 22,5% sobre o saldo de R$ 79,9 bilhões existente no final do ano passado.
As cadernetas de poupança apareceram em segundo lugar na preferência dos investidores para fugir da CPMF. Do saldo total de R$ 72,1 bilhões do final do ano, as cadernetas saltaram para R$ 75,9 bilhões no dia 22, o que reflete um aumento de R$ 3,1 bilhões no estoque das aplicações.
Com a captação líquida (depósitos contra retiradas) diária superior a R$ 200 milhões, os técnicos do Banco Central acreditam que as cadernetas encerrem janeiro com ganho superior ao de dezembro, sem contabilizar os rendimentos creditados. A captação líquida de dezembro foi de R$ 4,2 bilhões. Isso nunca ocorre, destacou Antônio Augusto Pinheiro, chefe interino do Departamento de Estudos Especiais e Acompanhamento do Sistema Financeiro (Deasf), do Banco Central.
Cadernetas
aparecem como
segunda opção
dos investidores
Também surpreende os técnicos o saldo dos fundos de 60 dias que detêm o maior estoque de todas as aplicações financeiras. É a primeira vez que uma aplicação considerada de prazo mais longo - isso para os padrões brasileiros - supera as aplicações mais populares de curto prazo. Com isso, começa a se concretizar a proposta do governo de levar as pessoas a optarem pelos ativos de longo prazo. Uma mudança de comportamento em que a equipe econômica vem insistindo desde o início do Plano Real.
Diante da expectativa de cobrança da CPMF, as aplicações que mais perderam foram os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). Nos primeiros 22 dias de janeiro, a fuga destas aplicações chegou a R$ 6,4 bilhões, o que levou o estoque a cair de R$ 83,2 bilhões, no final do ano, para R$ 76,8 bilhões no último dia 22.
Os fundos de investimento de curto prazo, os chamados FIF-CP, também foram grandes doadores de recursos para as cadernetas de poupança e os fundos de 60 dias. A perda destas aplicações acumulada até o dia 22 chegou a R$ 4,1 bilhões com o estoque dos recursos aplicados caindo de R$ R$ 22,3 bilhões para R$ 18,7 bilhões. Os fundos de ações-carteira livre, por outro lado, ganharam R$ 1,5 bilhão, o que elevou o estoque de R$ 4 bilhões para R$ 6 bilhões incluídos os rendimentos.


