O depoimento do dono da usina de cana-de-açúcar Sabarálcool, Ricardo Rezende, que disse ontem desconhecer a prática irregular de venda de álcool combustível direto para postos revendedores sem passar por distribuidoras, não convenceu os deputados da CPI dos Combustíveis. Eles estão certos de que há muitas empresas laranjas que compram álcool na fonte produtora para se livrar do recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS). A CPI obteve informação de que até 70% ddo álcool comercializado estaria com imposto sonegado.
Rezende prestou depoimento por cerca de uma hora e declarou não ter conhecimento de sonegação. Ele disse ainda que não sabe como os preços na distribuidora conseguem ficar abaixo do preço da usina mais os impostos. ‘‘Não sei explicar esses cálculos’’, afirmou. Ele foi o único a depor ontem.
Durante o depoimento, o presidente da CPI, deputado Toni Garcia, questionou como o litro do álcool pode ser vendido na distribuidora por R$ 0,70, quando tem um custo fixo de R$ 0,915 como mesmo produto. Ele mostrou uma planilha, onde o álcool é comprado por 60 centavos da usina, mas sofre a adição de ICMS (15 centavos), PIS/Cofins (74 centavos), frete (3 centavos) e CPMF (R$ 0,0028). ‘‘Ou estão sonegando imposto ou está acontecendo algo inexplicável’’, acusou Garcia.
O imposto sobre o álcool combustível é recolhido na distribuidora, mas alguns deputados começam a defender mudanças na forma de recolhimento.

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