CPI promete apontar falhas do Proer
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sexta-feira, 22 de março de 2002
Maria Duarte Equipe de Folha 
Curitiba - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Proer, deputado federal Gustavo Fruet (PMDB), promete apresentar o relatório final das investigações no dia 3 de abril. Fruet adianta que o documento sobre o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) será contundente. Segundo ele, o texto vai detalhar as falhas detectadas pelos deputados na atuação do Banco Central (BC).
Vamos explicar se e quando houve falha, omissão ou demora da direção do BC para tomar medidas, disse. Serão levantadas diversas questões críticas em relação ao programa, arrematou Fruet.
Criada pela Câmara Federal em setembro do ano passado para investigar as relações do BC com o Sistema Financeiro Nacional, a CPI esquadrinhou um dos programas mais polêmicos do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O relator, Alberto Goldman (PSDB), deve concluir o documento na próxima segunda ou terça-feira.
Foram realizadas 23 audiências públicas e tomados 30 depoimentos de personalidades envolvidas no processo, entre diretores e ex-dirigentes do Banco Central, ex-controladores de bancos liquidados e interventores. Associado ao exemplo de favorecimento do governo para um setor da economia, o Proer foi criado pelo Banco Central em 3 de novembro de 1995 (por meio da Resolução 2.208), na esteira da crise que atingiu os bancos Econômico e Nacional.
Sete instituições privadas tiveram acesso às linhas de financiamento do Proer: Nacional (R$ 5,9 bilhões), Econômico (R$ 5,2 bilhões), Bamerindus (R$ 3,3 bilhões), Mercantil (R$ 530 milhões), Banorte (R$ 476 milhões), Pontual (R$ 325 milhões) e Crefisul (R$ 296 milhões). A Caixa Econômica Federal também recebeu recursos do Proer na operação de aquisição das carteiras de crédito imobiliário dos bancos Econômico e Bamerindus.
Os recursos liberados desde então somam, em valores atualizados, cerca de R$ 29 bilhões. Esse total equivale a quase o dobro do orçamento anual de estados como Rio de Janeiro ou Minas Gerais, e cerca de 15 vezes o dinheiro desviado da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).


