CPI pode apurar uso de verba pública
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
O balanço de 1996 da construtora Encol, em elaboração, terá um patrimônio negativo de US$ 500 milhões, segundo estimam auditores, que estão preocupados com a falta de documentos para o fechamento do trabalho, que deverá estar pronto em 10 dias. Não há documentação mostrando a entrada de US$ 2,5 bilhões arrecadados com a venda de apartamentos. Este volume de recursos que ainda tem destino ignorado foi confirmado pelo deputado José Carlos Vieira (PFL-SC), que está colhendo assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para analisar as responsabilidades dos controladores da Encol e também dos bancos estatais que cederam recursos para a construtora.
Segundo José Carlos Vieira, é preciso que se levante em que circunstâncias os bancos estatais cederam recursos para a Encol, se a situação da empresa já era díficil. O parlamentar citou os seguintes financiamentos cedidos por bancos estatais: Banco do Brasil, US$ 180 milhões; Banespa, US$ 87 milhões; Caixa Econômica Federal, US$ 27 milhões; e BNDES com US$ 20 milhões.
O deputado disse ainda que a CPI visa esclarecer como foram concedidos estes recursos. Quem foram os responsáveis por eles? Ele estima que se consiga a adesão da metade dos 500 parlamentares para a aprovação da CPI e ele ainda conta com o apoio dos clientes da Encol, que estão mantendo contatos com os parlamentares. São necessárias 171 assinaturas para a constituição da CPI.


