A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Supermercados tomou depoimentos e ouviu esclarecimentos ontem em Londrina sobre o sistema de abastecimento e condições de trabalho no município e também em Maringá, Cascavel e Paranavaí. A primeira testemunha ouvida foi Daniel Alécio Loureiro Ribeiro, 19 anos, ex-funcionário do Carrefour de Londrina, vítima de acidente de trabalho. Daniel perdeu quatro dedos da mão esquerda (três foram decepados) durante a limpeza de uma máquina de extração de suco de laranja. Após o acidente, ficou sem emprego, já que era contratado por uma empresa terceirizada pelo supermercado, a empresa Rheta Consultoria e Recursos Humanos. O funcionário alega que não recebeu nenhuma assistência da empresa nem do supermercado. A empresa não existe mais e não sabem nem mesmo os responsáveis por ela. Ele recebe apenas o auxílio-doença do INSS.
O deputado Geraldo Cartário, que preside a CPI, disse que os deputados iriam tentar junto ao Carrefour uma solução imediata para o problema, independente do tempo de trabalho previsto pela comissão. O diretor-geral do hipermercado em Londrina, Valter Ludovico, disse à Folha que trabalha na loja há quatro meses, e conheceu o problema há um mês através do processo judicial. Segundo ele, não foi tomada nenhuma atitude ainda por desconhecimento do caso, mas que em pouco tempo os advogados da empresa vão tentar um acordo com o denunciante.
Cartário disse que vai convocar o diretor-geral do Carrefour para negociar, amigavelmente, a recontratação do ex-funcionário Daniel Aléco Lourenço Ribeiro. ‘‘Antes de entrar com uma ação contra o Carrefour, vamos conversar. A multinacional precisa tratar os paranaenses com mais respeito’’, criticou o deputado. O depoimento de Lourenço vai servir como prova contra o Carrefour, segundo a CPI.
‘‘Queremos que as multinacionais deixem de contratar através de empresas laranjas para evitar problemas como o que aconteceu com o Daniel, que era contratado pela Rheta’’, disse Cartário. ‘‘Na hora de pedir indenização, os diretores da empresa desapareceram e o Carrefour não quer ser responsabilizado. Nesse caso, a prefeitura e a Câmara têm obrigação de fiscalizar a idoneidade das empresas.’’
Cartário considera o Carrefour conivente por continuar contratando mão-de-obra pela Plena, antiga Rheta, de Ribeirão Preto (SP). ‘‘São todas empresas laranjas’’, reclamou o presidente da CPI. Ele avaliou a reunião de ontem como positiva e muito esclarecedora. A CPI tem prazo de 30 dias para encerrar seus trabalhos.
A CPI dos Supermercados espera entregar o relatório final das investigações até o dia 12 de dezembro.

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