CPI mexe com mercado e encarece o álcool
Cláudia Lopes
De Londrina
A maioria dos postos de combustíveis de Londrina aumentou o preço do álcool nos últimos dois dias. O produto, que no início da semana era vendido entre R$ 0,689 e R$ 0,699, passou a custar, em média, de R$ 0,789 a R$ 0,799.
A Folha fez consulta de preço ontem, por telefone, em dez postos da cidade. Todos haviam mexido nos preços das bombas de álcool. A explicação dos gerentes, atendentes e proprietários é de que as distribuidoras retiraram os descontos e, por isso, o produto ficou mais caro. A reportagem tentou ouvir algumas distribuidoras mas não conseguiu falar com seus representantes na região.
Para o presidente do Sindicombustíveis/Pr, Roberto Fregonese, o aumento no preço do álcool em Londrina é reflexo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga irregularidades no comércio de combustíveis no Estado há uma semana. A CPI está mexendo com todo o mundo. Os estabelecimentos que compravam combustível irregular, passaram a trabalhar com combustível tributado. Muitas coisas vão mudar neste cenário porque quem estava operando de forma irregular vai tomar suas precauções, disse. É normal que o preço suba já que preço muito baixo está ligado ao álcool clandestino.
Com toda a tributação, o álcool é comprado pelos postos de Curitiba entre R$ 0,65 e R$ 0,69, segundo Fregonese. A margem de lucro normal no álcool varia de R$ 0,10 a R$ 0,14, afirmou. Ele disse à Folha que até ontem desconhecia qualquer retirada de desconto por parte das distribuidoras e aumentos no preço do álcool em Curitiba. A região de Londrina é mais suscetível à sonegação e adulteração por causa da proximidade com o estado de São Paulo.
O analista de suprimentos, Luciano André Azevedo, pretende formalizar, na próxima segunda-feira, uma reclamação no Procon contra os postos de Londrina que aumentaram os preços. Tentei falar com o Procon ontem de manhã mas não consegui. Vou voltar a ligar para o orgão na segunda-feira, disse.
Ontem, ele chegou a telefonar para Presidente Prudente (SP) para descobrir por quanto o combustível está sendo comercializado naquela região. Tradicionalmente, os postos de Prudente trabalham com preços maiores do que os de Londrina. Agora, estão vendendo o produto a R$ 0,659, contou.
Como estuda à noite em Apucarana, Luciano Azevedo gastava cerca de R$ 400 por mês somente com combustível. Com este aumento, vou gastar muito mais. Como também tenho que pagar pedágio, estou pensando em largar a faculdade, disse.
Anteontem, o promotor da Defesa do Consumidor em Londrina, Hélio Cardoso, enviou correspondência para todos os postos do município pedindo a apresentação das notas fiscais de compra de álcool e gasolina. Os aumentos mostram formação de cartel no setor mais uma vez. Se ficar caracterizado o cartel, vou apresentar novas denúncias crimes contra os donos destes estabelecimentos e também vou solicitar ao Cade a aplicação de multas, afirmou.Presidente do Sindicombustíves no Paraná diz que aumento reflete as investigações de irregularidades no setor
Dorico da SilvaDENÚNCIALuciano André Azevedo, analista de suprimentos: Vou formalizar queixa no Procon na segunda-feira





