CPI dos supermercados investiga denúncia de fornecedores de hortis
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terça-feira, 23 de maio de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Os depoimentos de dois atacadistas de hortifrutis da Central de Abastecimento S/A (Ceasa), que eram fornecedores de grandes redes de supermercados de Curitiba, deixaram os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Supermercados convencidos de que há irregularidades nessas relações comerciais.
Valdemar Andreghetti e Oséas Rontaglio falaram por quase três horas aos deputados estaduais que fazem parte da CPI. Entre as denúncias de descontos abusivos e notas de devoluções da maior parte dos produtos comprados, surgiu uma nova constatação. Algumas redes supermercadistas faziam pedidos muito acima da previsão de venda diária.
No caso de Oséas Rontaglio, os volumes solicitados por uma rede de hipermercados chegavam a ser dez vezes acima da previsão de venda. Só descobri isso no final, quando não aguentava mais as devoluções; nunca vi um negócio desses em 25 anos que atuo nessa área, relatou. Depois que descobri as diferenças, comecei a mandar apenas 10% do que eles pediam e foi quando me cortaram da lista de fornecedores.
Rontaglio abriu um processo contra a rede de hipermercados Extra. Em 11 meses de fornecimento, entre fevereiro e dezembro de 1999, ele deixou de receber cerca de R$ 200 mil por mercadorias vendidas. Os pedidos eram feitos com um preço determinado e na hora do pagamento havia descontos e devoluções que baixavam os valores drasticamente, relatou aos parlamentares.
Os deputados da CPI devem convocar técnicos da Receita Estadual para que eles expliquem como funciona o sistema de controle de emissão de notas fiscais de venda aos consumidores finais. O objetivo é comparar os volumes efetivamente comercializados pelas redes com o montante comprado dos fornecedores de hortifrutis. Não é possível que uma grande empresa fosse tão desorganizada a ponto de comprar acima do necessário ou então esteja se transformando em entidade beneficiente para fazer doações de produtos descartados a instituições carentes, opinou o relator da CPI.
Para Rontaglio, as empresas faziam o ajuste de contas em cima dos fornecedores. Eles compravam muito para equilibrar as vendas a preços abaixo do custo e depois devolviam o excedente para o fornecedor ficar com o mico. Como as vendas dos hortifrutis são diárias, a justificativa para um volume tão grande de devoluções não se sustenta. Em algumas notas, a diferença chega a ser de 35%, completa o relator.


