A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos supermercados ouviu ontem depoimentos de três fornecedores das grandes redes de atacadistas que atuam no Paraná. A CPI foi criada para investigar denúncias de prática comercial que prejudicaria os pequenos fornecedores do Estado. Prestaram depoimento o diretor de vendas da Brahma, Eduardo Henrique Souza de França, o diretor da moinhos Motripar, Francisco Palmieri e o diretor do Moinhos Graciosa, Milton Niyazaki.
O depoimento de Eduardo França foi esclarecedor, na opinião dos deputados. O diretor da Brahma garantiu que a concessão de descontos em suas linhas de produtos para as grandes redes é esporádica. ‘‘Praticamos preços normais, não há exigência de descontos e quando isso acontece é a partir de uma negociação comercial’’, disse.
Com perguntas feitas ao diretor da Brahma, o relator da CPI, deputado Ademar Traiano (PTB), percebeu as diferenças no tratamento dispensado pelas grandes redes aos seus fornecedores. Enquanto as grandes empresas do eixo Rio-São Paulo conseguem negociar preços caso a caso, as empresas menores são obrigadas a conceder esses benefícios para os supermercados por cláusulas contratuais.
Segundo o diretor da Brahma, a empresa concede descontos para promoções específicas das redes, como por exemplo na inauguração de novas lojas. ‘‘Mas nunca nossos descontos chegam a 20%.’’ Esse índice foi apresentado por fornecedores de hortifrutigranjeiros como desconto obrigatório dos preços contratados.
O que Eduardo França falou vale para as marcas Skol, Antarctica e outras que foram incluídas na criação da Ambev. O prazo de pagamento dos supermercados a estas empresas varia de 21 a 30 dias. Fornecedores paranaenses já disseram ter que conceder até 60 dias de prazo para recebimento pelos produtos. ‘‘Ficou evidente uma diferenciação no tratamento dispensado para estes fornecedores, mas é claro que as empresas, como a Brahma, não têm nenhuma responsabilidade’’, afirmou o deputado Traiano.

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