Curitiba - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Proer, deputado federal Gustavo Fruet (PMDB-PR), vai pedir a prorrogação por 60 dias dos trabalhos, que deveriam acabar em 10 de março. Segundo ele, os principais depoimentos já foram tomados e serão finalizados hoje com a presença do ex-senador e ex-controlador do Banco Bamerindus José Eduardo de Andrade Vieira, mas é preciso mais tempo para discutir e votar o relatório final.
Os advogados de José Eduardo queriam postergar o depoimento, que é o segundo que ele dá à CPI. Segundo o advogado Roberto Bertholdo, como o Banco Central não disponibilizou os documentos de avaliação do Bamerindus, a preparação do ex-controlador ficou um pouco prejudicada. ‘‘Mas acho que compromete ainda mais o Banco Central, porque não há razão que explique a dificuldade em se conseguir esses documentos’’, avaliou. Mesmo assim, o advogado afirmou que serão apresentadas novos fatos hoje. José Eduardo esteve na CPI em 24 de outubro de 2001.
No dia 20 deste mês, o juiz da 7ª Vara Federal de Curitiba, Álvaro Junqueira, havia determinado prazo de cinco dias para que o BC entregasse os papéis requisitados por José Eduardo. O órgão federal não fez a entrega, alegando que os documentos estavam à disposição na sede de Brasília. ‘‘O BC entrou com três petições na última semana, para desvirtuar a decisão do juiz e tentando com isso ficar dentro da lei. Mas para nós o banco está descumprindo decisão judicial’’, avaliou Bertholdo.
‘‘Vou reafirmar algumas colocações e provar várias delas, para mostrar que a razão está do nosso lado’’, afirmou o ex-controlador. Para José Eduardo, ficou faltando a acareação com o então presidente do BC na época da intervenção no Bamerindus, em 1996, Gustavo Loyola. ‘‘A CPI também poderia solicitar informações ao HSBC sobre transações que não estão bem esclarecidas, mas que tenho comprovantes de que ocorreram’’, acrescentou.
A Associação dos Acionistas Minoritários do Bamerindus esteve reunida ontem com a direção do Banco Central (BC) em Brasília para avaliar a possibilidade do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) assumir a liquidação do banco, que está em fase extra-judicial. A opção foi bem vista pelos deputados federais Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e Gustavo Fruet (PMDB-PR), presidente da CPI do Proer, mas deve ser discutida com o atual liquidante do BC, Sérgio Prates.

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