A Comissão Parlamentar de Inquérito dos Alimentos (CPI do Leite) da Assembléia Legislativa do Paraná, inicia hoje, às 9 horas, em Ponta Grossa, uma série de seis audiências públicas para investigar as causas da crise dos preços do leite no Estado. Serão ouvidos produtores, representantes das indústrias, atacado e varejo, governo e consumidores sobre as causas da crise dos preços do leite. As audiências serão realizadas nas seguintes cidades: Guarapuava, Francisco Beltrão, Cascavel, Maringá e Londrina.
Ao final dos debates, a CPI terá informações sobre a formação de preços da cadeia láctea, para encaminhar soluções. Os preços praticados pelas grandes redes de varejo estão quebrando os produtores, disse ontem o presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Faep, o médico-veterinário e produtor Ronei Volpi, ao ser entrevistado por este jornal.
Há uma diferença muito grande entre os preços recebidos pelos produtores e os preços pagos pelos consumidores. Ainda que o preço ao consumidor seja promocional.
Há uma farta ‘‘gordura’’ nessa formaçaõ de preços e cabe à CPI investigar esta situação. Como representante dos produtores, Ronei Volpi afirma que a Faep vem brigando há tempo e agora a situação se encaminha para uma solução. É impossível, segundo ele, continuar produzindo leite nesses valores. Tal distorção ocorre justamente quando o Brasil está atingindo sua auto-sufiência em leite.
‘‘Qualquer produtor que levante seus custos de forma técnica e honesta vai ver que é impossível continuar na atividade - por mais eficiente - recebendo menos 35 centavos, afirma Volpi.
No entanto, o que se recebe hoje varia, em média, entre R$ 0,18,00 e R$ 0,39/litro. A grande maioria recebe entre R$ 0,24,00 e R$ 0,30/litro. O consumidor paga R$ 0,80/litro. - -
Volpi disse que os produtores apoiam a CPI do leite porque ela pode ser o primeiro passo para a implantação de uma política que organize o setor de maneira que todos os segmentos da cadeia produtiva tanham sua margem de lucro.
O assunto é importante e a preocupação tem fundamento. Afinal, trata-se de um alimento que as pessoas não podem prescindir. Além disso, o leite no Paraná - só na ponta da produção - representa os interesses de 36 mil produtores, a maioria pequenos e médios, que fazem da produção leiteria sua principal fonte de renda.
Sofrem os pequenos produtores, que fazem do leite principal atividade familiar, e sofrem aqueles produtores mais estruturados que investiram na automação de suas ordenhas e na melhoria genética do gado. Esses geralmente têm um custo alto porque as vacas, principalmente as que estão em lactação, são tratadas o estábulo e recebem ração concentrada. Os produtores ainda enfrentam autmentos cosntantes nos custos de insumos, como medicamentos, e estão há anos sem poder repassar esses custos.

mockup