CPI da Petrobras pode paralisar a companhia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de junho de 2009
Andréa Bertoldi com Agência Estado <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, alertou ontem que a CPI da Petrobras pode paralisar a companhia. Não gostaríamos que a CPI se transformasse em alvo de investigação para descobrir o que investigar, disse ontem em entrevista na Unidade de Negócios da Industrialização do Xisto, em São Mateus do Sul, no Paraná, a 150 quilômetros de Curitiba.
Para Azevedo, denúncias infundadas podem criar clima e não melhorar a governança corporativa da companhia. Ele disse que os itens que fazem parte do requerimento da CPI não têm muito sentido de serem investigados até porque já estão em análise em outros órgãos. O tema águas profundas está nas mãos da Polícia Federal; preços e superfaturamento estão com o TCU (Tribunal de Contas da União) e o ajuste contábil está a cargo da Receita Federal.
Cada assunto a ser discutido envolverá muitas pessoas para responder ou fazer levantamentos e informações, destacou o presidente da estatal. Vamos fazer todos os esclarecimentos necessários para todas as questões que existirem, garantiu. Para isso, ele pretende alterar sua rotina de trabalho, com permanência de dois dias por semana em Brasília dedicados somente à CPI. O dia vai ter mais que 24 horas agora, destacou.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que acompanhava Azevedo, disse que a única estratégia da oposição é fazer CPI e questionou o custo deste trabalho. O presidente falou sobre a CPI na entrevista sobre os 55 anos do início da exploração de xisto no País, quando também explicava sobre os US$ 174,4 bilhões a serem investidos até 2013. O plano de investimentos atrai várias atenções e esperamos que a iniciativa das investigações sobre fatos determinados não atrapalhe nosso setor de investimen-tos, disse.
O diretor de Abastecimento da companhia, Paulo Roberto Costa, disse que se pararem investimentos vão parar contratos, se pararem contratos vão ter demissões. Segundo ele, o País será prejudicado. Alguém depois vai ter que explicar esses prejuízos, acrescentou.
Azevedo disse que ainda não há repercussão internacional sobre a Petrobras em função da CPI. A continuidade dessa campanha, a permanente presença da Petrobras não mais nas páginas econômicas, mas nas páginas políticas e de denúncias dos jornais, evidentemente vai impactar sobre a reputação da Petro-bras, lamentou.
Ele destacou que a estatal petrolífera captou US$ 30 bilhões neste ano do BNDES, de cinco bancos internacionais, do Banco de Desenvolvimento da China e de outro banco americano. Se os preços do barril de petróleo continuarem em US$ 70 não precisamos captar mais para financiar os US$ 174 bilhões de investimentos previstos até 2013, destou.
Xisto
O presidente da Petrobras disse que a unidade de São Mateus do Sul tem contribuído para grandes projetos da companhia, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. Segundo ele, a unidade é pioneira internacionalmente, desenvolve novas tecnologias e é um grande laboratório.
A Unidade do Xisto está sobre uma das maiores reservas mundiais de xisto, a Formação Irati, que abrange os Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás. A unidade processa diariamente 7.800 toneladas de xisto que dão origem a produtos como óleo combustível, nafta industrial, gás combustível, GLP (gás de cozinha), enxofre e outros produtos que podem ser usados nas indústrias de asfalto, cimento, agrícola e de cerâmica.


