CPFL é privatizada com ágio de 70%
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quinta-feira, 06 de novembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Marie HyppenmeyerVendido!O leiloeiro da Bovespa bate o martelo no leilão de privatização da CPFL, ontem: sucessoA Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) foi arrematada por R$ 3,014 bilhões pelo consórcio liderado pela VBC (dos grupos Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa), em leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O consórcio ofereceu R$ 380,41 por lote de mil ações da estatal, o que resultou num ágio de 70% sobre o preço mínimo de R$ 1,772 bilhão estabelecido pelo governo paulista para desfazer-se dos 67% de ações ordinárias que possuía na CPFL, dos quais 60,7% indiretamente por meio da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), a maior acionista da CPFL.
Os quatro consórcios que se habilitaram para o leilão (além do VBC, Opportunity/Sul, Bozano,Simonsen/Tractebel e Light/Brascan) só entregaram seus respectivos envelopes com as propostas 15 segundos antes de expirar o prazo para efetuar as ofertas, o que chegou a causar certa tensão nos operadores presentes ao leilão na Bovespa.
Foi um ágio extraordinariamente positivo, comemorou o governador Mário Covas. Mesmo com a crise nas bolsas, nossa expectativa era de que o ágio ficasse entre 50% e 60%, continuou Covas, que assegurou que em nenhum momento o governo cogitou em adiar o leilão, apesar de toda a preocupação com as turbulências no mercado acionário.
Covas explicou que o dinheiro da venda da CPFL será usado para abater a dívida da Cesp e prepará-la também para a privatização, com o objetivo de deixá-la tão redondinha quanto a CPFL na hora da venda. O diretor-presidente da Cesp, Ângelo Andrea Matarazzo, disse que os recursos obtidos com a venda da CPFL contribuirão para reduzir de 25% a 30% a dívida bancária da Cesp, que hoje soma R$ 9,3 bilhões (a dívida total da empresa é de R$ 12,4 bilhões).
Mas esperamos negociar um desconto dos credores porque agora temos um bom dinheiro em caixa, afirmou Mário Covas. Para o governador, o sucesso do leilão da CPFL fortalecerá o programa estadual de desestatização, tanto das demais companhias de energia quanto de outros setores.


