Coutinho defende sustentabilidade de emprego e renda
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Redação FolhaWeb com Agências 
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, defendeu hoje estímulos à inclusão da população mais pobre na economia brasileira. Coutinho reafirmou o compromisso do governo de "enfrentar e reduzir expressamente a pobreza absoluta" no Brasil. No entanto, observou que as políticas brasileiras deveriam também se voltar para promover uma sustentabilidade de emprego e renda no horizonte de longo prazo entre os mais pobres.
Isso, na prática, poderia conduzir a uma superação dos programas de transferência de renda. "Temos que gerar o desenvolvimento de baixo para cima, gerando capacidade própria de contribuição. Este é o desafio da inclusão produtiva", afirmou. Para ele, o desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs) no Brasil poderia promover este movimento.
Ele acrescentou ainda que o BNDES tem notado uma crescente demanda por crédito para microempreendedores no Brasil. Um dos exemplos citados por Coutinho foi o desempenho do Cartão BNDES, que desembolsou recursos de R$ 4 bilhões no ano passado, e foi responsável por cerca de 600 mil operações de crédito em 2010, com tíquete médio de financiamento em torno de R$ 8.000.
Investimento
Coutinho afirmou que já está definido o valor do novo aporte do Programa de Sustentação de Investimento (PSI). O programa do BNDES foi criado em 2009, quando a crise ainda afetava a economia brasileira, para disponibilizar financiamentos na compra de máquinas e equipamentos na indústria brasileira.
Porém, Coutinho se recusou a mencionar valores. Ele explicou que a divulgação de números é de competência de órgãos hierarquicamente superiores ao BNDES. "Há uma definição (do valor). Mas vai ser anunciada pelo Ministério da Fazenda", afirmou. Coutinho não mencionou, contudo, quando o anúncio será realizado.
Petróleo
Sobre a crise que assola a indústria petrolífera - a instabilidade política em países do Oriente Médio e do Norte da África - que têm sido palco de protestos de oposicionistas. Coutinho afirmou que as oscilações nos preços do petróleo são "repiques que serão superados".
"Acho que está havendo algumas implicações sobre os preços de commodities, mas são de curto prazo. A oferta de petróleo é muito sensível, na margem, a essas oscilações de curto prazo, mas acho que esses assuntos irão se resolver, e [ela] vai se regularizar. São repiques que serão superados", acredita.
"Que atrapalha, atrapalha, mas acho que vai refluir [retroceder]. A não ser que a coisa chegue a países produtores mais pesados, mas não vejo essa possibilidade", acrescentou, em entrevista depois de participar de um seminário sobre arranjos produtivos locais, na sede no banco.
Somente na última segunda-feira (21), o valor da commodity teve aumento de 2% em Nova York e Londres. Além disso, há o temor de que os confrontos na Líbia, que é o oitavo maior produtor de petróleo entre as nações que integram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), afete a produção na região.


