O tapete vermelho no lugar da passarela avisava que criações glamurosas estariam por vir. O cenário em clima de premiação hollywoodiana era do desfile de Samuel Cirnansck, que na tarde de domingo mostrou na São Paulo Fashion Week (SPFW) sua coleção outono-inverno. Além de longos vestidos sensuais, o estilista também apresentou ao planeta fashion um produto paranaense na passarela do maior evento de moda do Brasil, frequentado por jornalistas e compradores nacionais e estrangeiros.
A novidade em questão é o couro de avestruz produzido em Maringá pela Copatruz, uma cooperativa de criadores e investidores formada por 85 integrantes. Charles Piveta Assunção é presidente da Copatruz e também proprietário da Strut, loja especializada em acessórios de couro de avestruz. Com um investimento na casa dos R$ 45 mil - entre patrocínio do desfile e o fornecimento de couro - Assunção conseguiu que seu produto estivesse, mesmo que só num detalhe de aplicação, em todos os modelos desfilados no domingo.
Para Cirnansck, ''o couro de avestruz é mais rígido, mas pode ser bem trabalhado''. O estilista acredita que o material pode ajudá-lo nas exportações. ''Já vendo em Nova York, mas quero chegar à Europa'', planeja Cirnansck para este ano.
Assunção também tem grandes planos para 2006. Dono de 500 casais de avestruzes no Mato Grosso do Sul, ele quer chegar ao mesmo número na Copatruz este ano. De acordo com Assunção, o couro de avestruz só perde em resistência para o couro de elefante. Além da resistência, o couro de avestruz tem uma característica única que são os folículos (onde antes estavam as plumas). O Brasil é o segundo produtor mundial (fica atrás da África do Sul) e na produção do País, o Paraná é o terceiro. São Paulo e Minas Gerais estão na frente.
Material de luxo, o metro do couro de avestruz custa, de acordo com o criador Charles Assunção, entre R$ 500 a R$ 1200. ''Para efeito de comparação, o metro do couro bovino custa R$ 50, ou seja, 10 vezes menos'', explica. Ao associar o produto maringaense a um dos novos talentos da moda brasileira, Assunção planeja vender para todo o território nacional e exterior. ''Já temos contatos com Portugal e norte da Europa'', conta.
Nos cinco primeiros meses da loja de Assunção, o faturamento médio mensal tem sido de R$ 70 mil. Confiante, ele planeja abrir franquias ainda este ano. Além de criador, Assunção também administra um curtume de beneficiamento do couro de avestruz, que durante os cerca de 15 minutos do desfile de Cirnansck esteve no centro da moda brasileira. A São Paulo Fashion Week terminou ontem e, durante seis dias apresentou coleções de 43 grifes e estilistas. Nesta edição, a SPFW trouxe a opção de um salão de negócios, que continua até o dia 27. A idéia é um show-room que concentrasse as vendas de mais de 50 marcas, incluindo a londrinense Zue, das estilistas Andréia Ferreira e Luciana Kouri. ''Vim pelos contatos, que foram muito bons'', disse Andréia. A grife acabou negociando uma venda internacional para a Grécia.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento

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