Cerca de 30 cotistas de fundos derivativos do Banco Boavista que registraram grandes perdas com a desvalorização do real fizeram ontem de manhã protesto contra a instituição, na Lagoa, zona sul do Rio. Com cartazes e faixas, os manifestantes distribuíram panfletos contando os prejuízos que tiveram com a falta de informações, por parte da instituição sobre o alto risco das aplicações nesses fundos, que atuam no mercado futuro. ‘‘Nos folhetos de divulgação, o banco garantia que riscos chegariam, no máximo, a 3% da aplicação, mas não foi isso que aconteceu’’, afirmou o administrador e cotista Carlos Henrique Costa e Silva, um dos da manifestantes.
Com a desvalorização do real, os fundos do banco registraram prejuízos entre 23,52%, no Boavista Derivativos 60, e 51,02%, no Hedge 60. ‘‘Fomos vítimas de propaganda enganosa’’, lamentou Silva. Ele tinha aplicado R$ 105 mil, mas, até hoje, só recebeu R$ 67 mil - uma perda de 64%. ‘‘Coloquei todo o dinheiro do meu fundo de garantia no Hedge 60 e no Derivativos 60 porque planejava abrir uma microempresa de turismo no fim do ano’’, lembrou. A aplicação nos fundos foi feita em junho de 1998, quando Silva foi demitido do próprio Boavista, onde trabalhou por 18 anos.
O administrador conseguiu recuperar parte do dinheiro graças a um termo de compromisso que assinou com o banco, que liberava as aplicações atualizadas até 14 de janeiro, quando, segundo a direção do Boavista, os resgastes foram interrompidos porque, com a suspensão dos contratos futuros de câmbio na Bolsa de Mercadorias & Futuros, não era mais possível calcular o valor das cotas. Em troca, porém, o documento restringiu qualquer tentativa do cotista de mover uma ação judicial de ressarcimento contra o banco. ‘‘Agora, a única possibilidade de reaver todo meu dinheiro é provar na Justiça que fui coagido a assinar o termo de compromisso’’, afirmou Silva. Nos panfletos distribuídos ontem, os manifestantes contam ainda que, em nenhum momento, a instituição financeira forneceu aos cotistas qualquer regulamento sobre o funcionamento desses fundos. ‘‘Eles sequer nos mandavam demonstrativos periódicos das operações que eram feitas com nossas aplicações’’, contou Silva.

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