Cotistas do Banco Boavista protestam contra perdas
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de março de 1999
Agência Estado 
Cerca de 30 cotistas de fundos derivativos do Banco Boavista que registraram grandes perdas com a desvalorização do real fizeram ontem de manhã protesto contra a instituição, na Lagoa, zona sul do Rio. Com cartazes e faixas, os manifestantes distribuíram panfletos contando os prejuízos que tiveram com a falta de informações, por parte da instituição sobre o alto risco das aplicações nesses fundos, que atuam no mercado futuro. Nos folhetos de divulgação, o banco garantia que riscos chegariam, no máximo, a 3% da aplicação, mas não foi isso que aconteceu, afirmou o administrador e cotista Carlos Henrique Costa e Silva, um dos da manifestantes.
Com a desvalorização do real, os fundos do banco registraram prejuízos entre 23,52%, no Boavista Derivativos 60, e 51,02%, no Hedge 60. Fomos vítimas de propaganda enganosa, lamentou Silva. Ele tinha aplicado R$ 105 mil, mas, até hoje, só recebeu R$ 67 mil - uma perda de 64%. Coloquei todo o dinheiro do meu fundo de garantia no Hedge 60 e no Derivativos 60 porque planejava abrir uma microempresa de turismo no fim do ano, lembrou. A aplicação nos fundos foi feita em junho de 1998, quando Silva foi demitido do próprio Boavista, onde trabalhou por 18 anos.
O administrador conseguiu recuperar parte do dinheiro graças a um termo de compromisso que assinou com o banco, que liberava as aplicações atualizadas até 14 de janeiro, quando, segundo a direção do Boavista, os resgastes foram interrompidos porque, com a suspensão dos contratos futuros de câmbio na Bolsa de Mercadorias & Futuros, não era mais possível calcular o valor das cotas. Em troca, porém, o documento restringiu qualquer tentativa do cotista de mover uma ação judicial de ressarcimento contra o banco. Agora, a única possibilidade de reaver todo meu dinheiro é provar na Justiça que fui coagido a assinar o termo de compromisso, afirmou Silva. Nos panfletos distribuídos ontem, os manifestantes contam ainda que, em nenhum momento, a instituição financeira forneceu aos cotistas qualquer regulamento sobre o funcionamento desses fundos. Eles sequer nos mandavam demonstrativos periódicos das operações que eram feitas com nossas aplicações, contou Silva.


