A primeira experiência do construtor Antonio Teixeira Ferreira com derivativos foi bastante traumática: na semana em que o real sofreu forte desvalorização, ele teve um prejuízo de R$ 350 mil em três dos fundos da Marka Nikko de que era cotista. A primeira surpresa desagradável que Ferreira teve foi no dia 13 de janeiro, quando o dólar pulou de R$ 1,2112 para R$ 1,32. As cotas dos fundos Derivativos e Derivativos Plus apresentaram perdas de 16% e 38%, respectivamente. Ferreira tentou sacar, mas foi informado que seus recursos estavam bloqueados. No dia 15, quando o governo liberou o câmbio, as perdas foram ainda maiores, alcançando 45,4% no Derivativos e 95,2% no Derivativos Plus. Até um fundo de 30 dias teve uma queda significativa, de 30,8%.
Ferreira diz que nunca foi informado de que corria tanto risco. Nos fundos de derivativos, o funcionário do Marka Nikko disse apenas que o risco era de ‘‘11% em Bolsa’’. Em nenhum momento, segundo ele, foi informado de que uma mudança abrupta no câmbio poderia levar a um prejuízo tão grande. Seu irmão, o construtor Júlio Teixeira Sampaio, pediu várias vezes para que o banco enviasse o regulamento dos fundos, mas nunca foi atendido. Sampaio teve uma perda de R$ 100 mil nos fundos da instituição. Ele diz ainda que nunca assinou nenhum contrato nem recebeu qualquer demonstrativo apontando onde estava atrelado o dinheiro dos fundos, diferentemente do que fazem outros bancos. Os dois formaram uma associação que já conta com mais de cem cotistas, que tiveram prejuízos de cerca de R$ 10 milhões. Eles pretendem processar o Marka e o Banco Central.

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