As cotações do feijão carioca e preto estão em queda. Para o produtor, a redução dos preços verificada nos primeiros dez dias do mês é de 10% a 12%. No mercado atacadista de São Paulo a queda registrada é de 20% e a saca de feijão de cor já está sendo negociada a R$ 100,00. No pico da alta, em meados de maio, o feijão chegou a ser comercializado a R$ 140,00/saca em São Paulo, informou o diretor da corretora Correpar, Marcelo Eduardo Luders.
Segundo ele, a tendência é de novasquedas. ‘‘As cotações vão cair mais 10%, para depois de estabilizar, ainda num patamar alto’’, ressalvou o corretor. Para os cerealistas, o cenário ainda é de muita preocupação. Isso porque há um déficit no abastecimento de feijão que deve atingir 200 mil toneladas até o final do ano e somente a iniciativa privada está importando. Segundo o cerealista Paulo Maranhão, da Paiol Cereais, o setor privado está importando entre 15 mil e 20 mil t entre feijão preto e carioca e já desembolsou em torno de US$ 20 milhões. ‘‘Enquanto o governo está assistindo o quadro de desabastecimento praticamente de braços cruzados’’, disse Maranhão.
‘‘São dois os fatores que justificam a redução nos preços’’, disse Luders. O primeiro é a entrada do produto importado, com a chegada de feijão preto da Argentina e feijão de cor de do Chile, África do Sul, Estados Unidos e até da China. Para o corretor, o volume importado ainda não foi totalmente internalizado, mas o efeito psicológico desencadeia um processo de baixa nas cotações.
Outro fator é a retração por parte do consumidor por causa da alta dos preços. Só as vendas da cerealista Paiol caíram 30%. Além disso, também está entrando a produção de feijão de cor de Rondônia e Goiás, contribuindo para a queda nos preços.
No Paraná, a cotação média do feijão de cor paga ao produtor caiu de R$ 86,32 a saca, no ínicio do mês, para R$ 77,80 a saca, ontem. Em meados de maio, a cotação do feijão carioca chegou a R$ 110,00 a saca em algumas praças como Londrina e Apucarana. Ontem nessas praças, o preço pago ao produtor oscilava entre R$ 90,00 e R$ 95,00, uma queda de 12%.
No varejo também já reflete a queda. Há 20 dias atrás, o consumidor estava pagando entre R$ 2,75 a R$ 3,00 o quilo. Esta semana, o consumidor deverá pagar entre R$ 2,35 e R$ 2,40 o quilo, afirmou Maranhão. Segundo ele, tanto os supermercados como os cerealistas não trabalham mais com grandes estoques, como ocorria antes do plano Real e por isso o repasse de preços ao consumidor é imeditato.
Apesar da retração no consumo, o cerealista não acredita que os preços do feijão atinjam a média histórica para o feijão carioca que é de US$ 60,00/saca. ‘‘A redução no preço será lenta daqui para frente’’, justificou. A preocupação do cerealista é com o agravamento do déficit do abastecimento. Segundo Maranhão o governo não está importando feijão e nem criando mecanismos para estimular a iniciativa privada a importar. ‘‘ O governo acenou com redução do imposto de importação do feijão de 25% para 15%, mas até agora não mexeu nas alíquotas. Também prometeu retroceder e permitir a importação de arroz com prazo acima de 30 dias, como ocorria antes, mas é impossível importar sem depositar o pagamento antecipado’’, criticou o empresário.
Para agravar a situação, acrescentou Maranhão, o governo não aceita reduzir os impostos nos itens da cesta básica, que no caso do feijão, o acúmulo de tributos chega a 20% no preço do produto.

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