Após começar o dia em baixa, ontem, o mercado do café reagiu e fechou com alta de 300 pontos em Nova York. Em Londrina, a cotação ficou entre R$ 145 e R$ 150 para café fino, informou o corretor Devanil Vicente Ferreira. Anteontem, o café foi vendido por R$ 140 a R$ 145.
A explicação para a alta, segundo o corretor, é que os fundos de pensão americanos compraram forte por causa dos baixos preços. O aumento da demanda, consequentemente, elevou a cotação. ''O mercado deve voltar aos patamares de 15 dias atrás'', comentou, referindo-se ao preço de R$ 160 por saca praticado em meados de outubro. Ele disse ainda que os fundos de pensão compram e vendem movidos à especulação. ''Logo eles realizam lucro e a bolsa volta a cair.''
O preço pago atualmente pelos cafés finos já remunera o produtor. Nilson Hanke Camargo, do departamento técnico e econômico da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), informou que o custo de produção médio, no Paraná, é de de R$ 120 a R$ 130 por saca.
Sobre as oscilações no preço do produto no último mês, ele explicou que são decorrentes das especulações com relação à safra do ano que vem. Por causa da bianualidade da cultura, a expectativa é que a colheita seja bem menor que a safra recorde deste ano, que deve chegar a 45 milhões de sacas. Além disso, as regiões produtoras enfrentam seca, o que deve prejudicar ainda mais a produção. ''A quebra deve ser de pelo menos 30%'', acredita. Outro fator que elevou a cotação é a alta do dólar.
Breno Pereira de Mesquita, presidente da comissão técnica de café da Federação de Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), lembrou que os produtores estão descapitalizados e sem condições de fazer os tratos culturais adequados. ''Isso também vai influenciar a produtividade'', disse.
A estiagem nas regiões produtoras mineiras foi um dos fatores que elevaram a cotação nas últimas semanas. Mesquita comentou que choveu apenas nos últimos cinco dias no sul mineiro, mas o déficit hídrico continua alto. ''A quebra na produção vai ser acentuada.''

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