A escassez de ofertas e os baixos estoques da Europa provocaram fortes altas ontem, tanto no mercado interno quanto no mercado internacional. Em três dias, os contratos de dezembro na Bolsa de Nova York acumulam alta de 1.510 pontos, o que significa um incremento de R$ 20,00/saca no período. Ontem, as cotações para dezembro em Nova York fecharam em 195,00 centavos de dólar por libra-peso, o que significa uma alta de 550 pontos em relação ao dia anterior. No mercado interno, as cotações também subiram em média R$ 20,00/saca no mesmo período.
O vice-presidente do Sindicado dos Corretores de Café do Estado do Paraná, Devanil Vicente Ferreira, observa que os países europeus estão com seus estoques baixos num período em que o consumo aumenta, com a proximidade do inverno. Ferreira diz ainda que, no momento, o Brasil é o único país produtor que tem café disponível para comercializar. ‘‘Mas os importadores sabem que a produção brasileira sofreu quebra na produção, o que acaba provocando estas altas’’, comenta.
Ferreira afirma que a falta de produto e a grande procura pelos importadores reflete diretamente no mercado interno. Segundo ele, além dos cafés mais finos, destinados à exportação, os cafés para consumo interno também acompanham as altas. ‘‘Estas altas atingem inclusive o café robusta’’, comenta.
Segundo Ferreira, as últimas estimativas feitas pelo mercado dão conta de que a safra brasileira, que está sendo colhida, deve ficar em 20 milhões de sacas. Ele observa que as primeiras estimativas apontavam uma produção de 28 milhões de sacas que mais tarde foram reduzidas para 25 milhões e depois para 22 milhões. ‘‘A renda do café não atingiu o esperado e a quebra da produção será mais sentida em Minas Gerais’’, diz. Ferreira estima que o País terá um déficit entre 5 e 7 milhões de sacas nesta safra, considerando que o consumo interno é de 12 milhões de sacas/ano e o volume exportado é de 15 milhões sacas/ano.

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