Cotações do café sobem 70% em 1997
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de janeiro de 1998
Guto Rocha Londrina 
Arquivo FolhaEm altaCafeicultores do Paraná ficam fora do mercado na esperança de preços ainda melhores As cotações do café no mercado internacional registraram uma alta média de 70% em 1997. Segundo o superintendente-adjunto da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras, de Torrefação e Moagem de Café (Abic), Geraldo Azevedo, as exportações brasileiras do produto em 1997 devem gerar uma receita entre US$ 2,5 bilhões e US$ 2,6 bilhões, com um total de 15 milhões de sacas de café verde embarcadas.
Azevedo afirma que inicialmente as previsões indicavam uma receita de US$ 2,8 bilhões com exportações de café em 1997. Mas não devemos atingir este montante por causa do pequeno volume de produto ofertado no segundo semestre de 97, comentou.
Além da escassez do café, outro fator que impediu a concretização das previsões iniciais da Abic, segundo Azevedo, foram os preços do produto no mercado interno. As cotações ficaram muito altas, o que acabou inviabilizando alguns negócios no exterior, afirmou Azevedo. Ele observou que os preços no mercado interno ficaram muito acima dos preços praticados no mercado internacional.
O superintendente da Abic disse que este ano os produtores de café tiveram bastante fôlego para segurar as ofertas na tentativa de conseguir preço acima do mercado do dia. O cafeicultor só vendeu na hora que ele realmente precisou. Muitas ações do governo beneficiaram o produtor, afirmou. Em 1997, os produtores receberam do governo R$ 500 milhões para custeio e comercialização, sendo R$ 300 milhões em novos recursos e R$ 200 milhões na renegociação das dívidas.
Segundo o corretor do Escritório Marrequinho, em Londrina, Geraldo Ferreira de Souza, as cotações do café devem continuar firmes este ano. As ofertas são pequenas e os estoques vêm diminuindo, comentou. Segundo ele, os vendedores ficaram retraídos ontem, apesar de a saca do café fino ter sido cotada a R$ 230,00. As cotações do café na Bolsa de Nova York fecharam em alta hoje (ontem) e o mercado interno deve refletir esta alta amanhã (hoje), disse.
No mercado interno, as altas dos preços foram ainda maiores. Segundo Azevedo, enquanto o café fino registrou uma alta média de 69%, passando de R$ 130,00 no início do ano para R$ 220,00/saca no final do ano, o produto destinado ao mercado interno registrou uma alta de 75% no mesmo período, passando de R$ 109,00/sc para R$ 186,00.
Azevedo observou que o consumo de café no Brasil vem crescendo a cada ano desde o início dos anos 90. Segundo dados da Abic, em 89/90 o País consumiu 6,5 milhões de sacas de café, em 1996, o volume já era de 11 milhões de sacas e em 1997, o consumo ficou em 11,5 milhões de sacas de café verde. A previsão é de que em 1998 o consumo interno fique entre 12 milhões e 12,5 milhões de sacas, disse. Já as exportações devem ficar em 18 milhões de sacas.


