A cotação da soja já caiu 18% este ano. Até o final de julho, a queda era de 12% e, no início de agosto, as cotações despencaram na Bolsa de Chicago. Com isso, a saca de soja está sendo cotada a R$ 11,86, em média, no Paraná. E tende a cair ainda mais, prevê o técnico do departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Otmar Hubner.
Apesar da previsão pessimista, Hubner reconhece que os produtores e cooperativas estão segurando o produto à espera de uma reação nos preços, a partir de setembro, quando tradicionalmente vigoram os melhores preços do ano, que persistem até o mês de dezembro.
No entanto, este ano o estoque de soja está alto, com 599.000 toneladas, contra 95.000 toneladas no ano passado, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Também não existe ameaça ao desempenho da safra norte-americana, ‘‘a não ser que parem as chuvas na zona de produção e possa ocorrer uma estiagem até novembro, quando a produção termina de ser colhida’’, alertou o técnico.
Liquidez Mesmo com as cotações em queda, o preço da soja está acima dos custos de produção e o produtor está satisfeito porque tem um produto de alta liquidez nas mãos, podendo se desfazer apenas quando precisa de recursos para saldar um compromisso imediato. Em função disso, a produção de soja não deverá cair tanto no País no ano agrícola 98/99.
A área plantada na região Centro-Sul poderá até aumentar diante da falta de alternativas de produção e da liquidez da produção. No Paraná, a previsão é de queda na área plantada de 1,5% que pode nem se confirmar, disse Hubner. Na safra passada foram plantados 2.820.000 hectares e este ano, devem ser plantados 2.775.500 hectares.
A disponibilidade de sementes está avaliada entre 3,6 a 4 milhões de sacas e a importação de sementes do Rio Grande do Sul poderá atingir até 1 milhão de sacas. No total, esse volume permite o plantio de 2,4 milhões a 2,6 milhões de hectares, sem se considerar o uso de semente ‘‘caseira’’, observou Hubner.ArquivoEsperançaApesar da queda, produtores apostam numa reação dos preços em setembro/outubroVânia Casado

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