A escassez de trigo no mercado internacional deverá manter o preço da commoditie em alta nesta safra. Durante esta semana, a cotação do grão bateu recordes nas bolsas americanas - ultrapassando a casa dos US$ 400 a tonelada ante uma média histórica de US$ 150/t - e atingiu o maior nível nominal na Região Norte do Paraná: R$ 37,24 a saca de 60 quilos no preço recebido pelos produtores. Com a tendência de mercado firme, a área plantada no Paraná deverá crescer 13% nesta safra, segundo pesquisa de intenção de cultivo feita pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
A área plantada deverá ser de 951 mil hectares. O Paraná responde por metade da produção nacional e, se as condições climáticas forem favoráveis, deverão ser colhidos cerca de 2,48 milhões de toneladas. A quantidade estimada é 29% maior do que a produção anterior, que foi prejudicada devido à falta de chuvas naquele período. A produtividade média esperada para esta safra é de 2,6 mil quilos por hectare, mesmo potencial registrado em 2003, quando o Paraná colheu a maior safra da história. ''A produtividade tem aumentado porque os agricultores estão usando mais tecnologia'', comenta Otmar Hubner, engenheiro agrônomo do Deral.
Segundo Lucílio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz, não há fatores técnicos negativos que indiquem queda de preços do trigo - e dos grãos -, pelo menos neste primeiro semestre. ''Como a produção nacional não é suficiente para atender o mercado interno (cerca de 60% do trigo consumido é importado) os preços devem estar altos até o início da colheita (em agosto)'', informa. No entanto, ele ressalva que a cotação também será influenciada pela oferta mundial, que pode garantir estabilidade de preços interrompendo a sequência de altas ou provocar leve redução dos custos no Brasil.
Alves completa que a maioria dos produtores não irá aproveitar os bons preços deste momento porque já haviam comercializado sua produção, restando pouco estoque apenas nas cooperativas. ''Isto é reflexo da restrição de oferta, desde novembro não são fechados contratos de importação da Argentina'', informa. Além disso, os Estados Unidos também estão em período de entressafra. A colheita naquele País tem início em maio, mas o trigo americano chega ao mercado nacional com custo mais alto do que o argentino, encarecido pela paridade de importação, pelo frete e taxas portuárias.
Safra - De acordo com o analista de mercado Elcio Bento, da Safra e Mercados (empresa privada de análises do agronegócio), a produção nacional de trigo deverá crescer cerca de 15%. ''Os moinhos têm interesse em fomentar a produção e, para isso, têm estimulado o plantio no Centro-Oeste. O único problema é a viabilidade econômica com relação a outras culturas'', diz. Naquela região, está sendo utilizado o trigo irrigado.

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