O presidente Fernando Henrique Cardoso descartou ontem a possibilidade de desvalorizar a moeda brasileira ou elevar as taxas de juros para enfrentar a crise internacional. Ele disse que o governo continuará defendendo o real e evitando uma desvalorização da moeda por pressão do mercado. ‘‘É dever do governante defender a moeda’’, ressaltou. Fernando Henrique reconheceu que a crise internacional pode afetar a atividade econômica em geral no mundo.
‘‘Quando se desvaloriza o câmbio quem paga é o povo, porque imediatamente quem sofre é o trabalhador já que seu salário diminui relativamente’’, afirmou o presidente, para quem uma desvalorização tem efeito inflacionário porque eleva o preço dos insumos importados e de produtos agrícolas. De acordo com o ele, defender a moeda é ponto básico para defender a economia popular.
Fernando Henrique disse que o Brasil não está sofrendo ataque especulativo, e que a situação atual é diferente da ocorrida em outubro, quando houve, na sua opinião, um ataque contra a moeda brasileira. ‘‘As dificuldades não dizem respeito, neste momento, ao câmbio’’, ressaltou. ‘‘São de outra natureza’’, segundo ele.
O presidente acredita que ‘‘o que há é um mal-estar promovido por perdas ocorridas em várias partes do mundo’’ decorrente da sobrevalorização de ativos e sobrevalorização de ações. ‘‘Agora está havendo um ajuste’’, destacou. ‘‘Não adianta pensar em aumentar juros para enfrentar o problema; isso não está em cogitação’’, garantiu.
O governo, segundo Fernando Henrique, está utilizando, dentro de ‘‘critérios normais’’, as medidas necessárias para garantir que o Brasil, nesta fase de dificuldade internacional, consiga levar adiante seus planos de crescimento. Fernando Henrique falou sobre economia e a crise internacional após encontro com o cardeal Dom Eugênio Sales, na casa do cardeal no Sumaré no Rio, e o monsenhor José Maria Vasconcelos da Igreja São Judas Tadeu. O presidente foi receber a bênção do monsenhor, como fez na campanha de 1994.

mockup