Cotação do dólar sobe e encosta em R$ 2
Agência Folha
De São Paulo
O mercado de câmbio viveu hoje mais um dia de pouca liquidez e o dólar comercial registrou a sua maior cotação em mais de 7 meses. A moeda norte-americana fechou sendo negociada a R$ 1,998, com valorização de 1,05% em relação à sexta-feira. Essa é a maior cotação da moeda norte-americana desde o 4 de março (R$ 2,08), dia em que Armínio Fraga assumiu o Banco Central.
Durante o dia, o dólar comercial chegou a ser negociado a R$ 2,00, mas recuou no final do pregão. Repetindo o que vinha ocorrendo desde o início do mês, o mercado de câmbio operou pressionado para cima o dia todo.
A razão, segundo analistas e profissionais do mercado, é a falta de oferta da moeda, agravada por movimentos de compra liderados por bancos para liquidar o grande volume de compromissos externos previstos para este mês. Outra característica do mercado que tem se mantido são os baixos volumes negociados. Em dias assim, pequenos negócios podem pressionar muito a cotação, afirma José Roberto Ferraz, operador da corretora Safic.
Alguns profissionais do mercado acreditam que o cenário não deve ter mudanças nos próximos dias, e a cotação deverá naturalmente romper a barreira dos R$ 2,00 ainda nesta semana.
Caso isso aconteça, a expectativa é a de que o Banco Central intervenha, aumentando a oferta de dólar, já que a cotação de R$ 2,00 por dólar é vista por muitos como uma barreira psicológica. Nem mesmo o leilão de R$ 500 milhões de NBC-Es (papéis cambiais) que o BC realizará hoje deverá modificar o panorama a curto prazo. Esses leilões tranquilizam o mercado, mas no cenário atual o mais eficaz para baixar a cotação seria vender moeda, diz Miriam Tavares, diretora de câmbio da corretora Renova.
No entanto, o próprio presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que participou de um seminário em São Paulo, tentou minimizar ontem a barreira psicológica do dólar a R$ 2,00.
Questionado sobre a possibilidade de o Banco Central intervir no mercado caso o dólar ultrapasse os R$ 2, Fraga respondeu que a instituição não tem números mágicos que determinem isso. O Banco Central está de olho nas metas inflacionárias e age de acordo com suas expectativas em relação a elas, disse.
Fraga disse ainda que a não atuação do BC no mercado nos últimos meses não significa que o órgão não vá interferir. Não conheço nenhum banco central do mundo que tenha deixado de interferir no mercado de câmbio.
A Bolsa de Nova York operou ontem com grande instabilidade. O índice Dow Jones abriu em alta, reverteu essa tendência ainda na primeira hora de pregão, chegou a ficar abaixo dos 10 mil pontos, recuperou-se e fechou com alta de 0,96% (10.116 pontos).
Ontem, o mercado ficou atento à divulgação do Indice de Preços ao Consumidor dos EUA, que será feita amanhã. A expectativa dos investidores é que o dado venha a confirmar que os EUA caminham para um processo inflacionário.
Na sexta, o governo anunciou que o Indice de Preços no Atacado foi de 1,1% em setembro, mais que o dobro do estimado. O dado fez a Bolsa cair 2,59% no dia, a maior queda desde outubro de 1998.
Essa queda refletiu hoje nos mercados de todo do mundo. A Bolsa de São Paulo fechou em queda de 1,50%, com giro total de R$ 825 milhões. Mercados asiáticos e europeus também fecharem com novas baixas. Investidores temem que novas notícias sobre a economia americana tragam mais nervosismo nos próximos dias.





