Cotação do dólar recua e fecha abaixo de R$ 1,70
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Da Agências 
O dólar caiu ontem abaixo da barreira do R$ 1,70 pela primeira vez desde o dia 21 de janeiro, uma semana depois da mudança na política cambial. Chegou à cotação de R$ 1,69, para fechar em R$ 1,695, uma desvalorização de 0,88%. O Banco Central não tentou impedir a queda nas cotações do dólar. Sua atuação foi no sentido oposto: vendeu a moeda norte-americana, a R$ 1,71 e a R$ 1,715, em lotes estimados em cerca de US$ 10 milhões cada. A média ponderada ficou em R$ 1,7054.
As denúncias envolvendo o banco Marka poderiam trazer nervosismo e puxar o dólar para cima. O BC adotou a cautela. Os analistas acreditam que, mesmo sem a atuação do BC, o dólar pode cair ainda mais, para cerca de R$ 1,65. No pico, nos dias 2 e 3 de março, o dólar atingiu R$ 2,16.
O BC pode estar cometendo um grande erro se não der sustentação à moeda no patamar de R$ 1,70 , diz João Medeiros, sócio da Pioneer Corretora de Câmbio.
As exportações ainda não se recuperaram. Em março foram 10,39% menores do que no mesmo mês de 1998. Se o dólar cair mais, os planos dos
exportadores vão por água abaixo , diz ele.
Além da atuação do BC, o dólar caiu por conta dos recursos externos atraídos por juros de 39,5% ao ano no over, o mercado por um dia. Na quarta, o BC pode baixar as taxas para 36% ao ano. Também a Bolsa de Valores tem atraído o investidor externo.
Se a desvalorização do dólar continuar, os importadores vão voltar ao mercado com força, dificultando o equilíbrio na balança comercial , diz Francisco Guimenez, da NGO Corretora de Câmbio. As reservas passaram de US$ 38,909 bilhões no dia 8 para US$ 43,828 bilhões no dia 9, devido, principalmente, à ajuda do Banco para Compensações Internacionais.
O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) se reúne amanhã para definir a trajetória dos juros básicos da economia. A tendência é que promova uma nova queda das taxas. O sinal de que o BC reduzirá os juros já foi dado na semana passada pelo governo, quando o BC vendeu títulos federais prefixados pagando taxas máximas de 33,19% ao ano.


