São Paulo - A cotação do dólar na faixa de R$ 2,85 não afeta e não deverá causar dificuldades para as exportações neste trimestre. De acordo com o diretor de Comércio Exterior do Banco do Brasil (BB), José Maria Rabelo, o câmbio não reduziu os Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio (ACCs) e Cambiais Entregues (ACEs) realizados pela instituição. ''Não há oscilações nesses dois produtos. As empresas já precificaram que o patamar atual é adequado para seus negócios e que o câmbio deve ficar por aí mesmo'', afirma.
De janeiro a setembro, o BB concedeu US$ 6,65 bilhões em ACCs e ACEs, o equivalente a 32% desse mercado. Para o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto Castro, as exportações de outubro a dezembro - segundo ele, responsáveis por cerca de 25% do total vendido pelo País no ano - não são alteradas pelo câmbio atual porque os contratos foram realizados há alguns meses, quando a cotação estava mais elevada.
''A preocupação fica mais para as exportações em 2005, quando há a expectativa de redução das vendas externas'', afirma. ''Isso deverá ocorrer, especialmente, por causa da tendência de desaceleração dos Estados Unidos e da China, além da queda dos preços de commodities agrícolas, como a soja.'' De acordo com Castro, o cotação do grão em 2005 ficará bem abaixo dos níveis registrados em 2004, sobretudo por causa do recorde da safra norte-americana e da expectativa de produção bem alta no Brasil e Argentina.
Na avaliação de Castro, o Brasil deverá fechar o ano com um superávit comercial de US$ 34 bilhões, provocado por exportações de US$ 95 bilhões e importações de US$ 61 bilhões.
Para 2005, o vice-presidente da AEB estima que as vendas externas ficarão estáveis, ao redor de US$ 95 bilhões, com importações próximas a US$ 65 bilhões. ''Como o próximo ano será mais difícil para os produtos brasileiros no exterior, o saldo positivo não deverá passar do teto de US$ 30 bilhões'', afirma.
Para Castro, este superávit deverá ser alcançado com mais facilidade se o câmbio médio ficar em R$ 3,00 em 2005. Mas, mesmo que a cotação média fique mais próxima de R$ 2,90 em 2005, o vice-presidente da AEB não acredita que o resultado final deverá ser alterado.
''O exportador, sobretudo de produtos manufaturados, fará um esforço para compensar a eventual menor rentabilidade com maior quantidade de mercadorias vendidas'', afirma, ressaltando que muitas empresas exportadoras não querem perder clientes que levaram anos para conquistar. ''Quem vai para fora não volta. Muitas companhias perceberam que é importante estar presente no mercado externo, pois é uma oportunidade boa de vendas, dado que a demanda do mercado interno nem sempre está bem'', finaliza.

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