São Paulo – O mercado de câmbio operou sob tensão durante todo o dia de ontem. O dólar comercial chegou a atingir a cotação de R$ 2,55, mas recuou e fechou em alta de 0,11%, cotado a R$ 2,526 na compra e a R$ 2,528 na venda, o maior valor desde 29 de novembro.
A alta foi motivada principalmente pela escalada do risco-país, que bateu ontem nos 1.000 pontos. O risco-país é calculado pelo banco JP Morgan por meio do índice Embi+, que mede, em centésimos de pontos percentuais, o prêmio pago em juros nos títulos do País em comparação aos papéis do tesouro dos EUA, considerados de risco nulo.
Durante a tarde, o risco-país chegou a 1.004 pontos, o que indica um prêmio pago pelos títulos brasileiros 10,04 pontos percentuais maior que o dos papéis norte-americanos. No final da tarde, o índice havia recuado para 983 pontos - mesmo assim, uma alta de 1,55% em relação ao fechamento de anteontem.
Ajudou também na alta da moeda norte-americana a cobertura de prejuízos de grandes bancos que tinham feito posições em cupom cambial - em especial o FRA - baseadas na perspectiva, que vigorava dois meses atrás, de que o dólar permanecesse abaixo do patamar de R$ 2,50.
‘‘Quando os bancos pararam de comprar dólar para cobrir o prejuízo do cupom, a alta diminuiu e o risco-país também’’, afirmou Miriam Tavares, diretora da corretora AGK. ‘‘Mas eles apenas pararam de comprar dólares, não houve nenhuma grande venda durante a tarde’’, acrescentou.
A taxa de retorno do FRA (Forward Rate Agreement), segundo a BM&F, que opera com os papéis, é calculada a partir do ganho com a variação cambial em determinado período descontados os juros desse mesmo período.
Essa taxa, após atingir um patamar alto no mês de setembro, iniciou uma trajetória de queda que fez com que seu valor, entre março e abril, diminuísse quase pela metade. Muitos bancos, nessa época, fecharam grandes posições vendidas em FRA de cupom cambial esperando que o dólar, que em abril chegou a menos de R$ 2,30, continuasse sob controle.
Entretanto, a moeda norte-americana começou a subir e, com isso, os bancos passaram a perder dinheiro com os contratos.

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