Cotação do dólar atinge R$ 2,27 e BC custa a agir. Bolsa despenca
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sexta-feira, 20 de abril de 2001
Agência Estado De São Paulo 
O mercado especulou o quanto quis. Promoveu um banho de sangue e elevou o dólar até R$ 2,27, alta de 3,42%. Inexplicavelmente, o Banco Central só resolveu leiloar NBC-E com vencimento em novembro às 16h37. Foi tarde demais. O pronto fechou com valorização de 1,82%, cotado a R$ 2,235, novo recorde do real. Além disso, o BC pagou caro (13,60%) e nem vendeu o lote integral ofertado, de 2 milhões de NBC-E emitidas ontem e com vencimento em 22/11/2001, porque a demanda ficou abaixo disso, em 1.061.300.
A demora do BC em mostrar a cara gerou boatos de que o Copom estaria realizando uma reunião extraordinária para elevar a taxa Selic. Nem o BC nem o Ministério da Fazenda quiseram comentar o dia no mercado. A percepção de que a manutenção da paridade cambial na Argentina é insustentável e que cresce o risco de desvalorização cambial e eventual default (calote) voltou a incendiar os nervos do mercado brasileiro. A apreensão com o país vizinho aumentou à tarde, após entrevista do ex-presidente argentino Carlos Menem a uma rádio local, recomendando a investidores e à população que comprassem dólares.
Essas notícias provocaram fortes especulações e a deterioração dos mercados. A taxa de risco da Argentina fechou a 1.049 pontos-base e o título da dívida externa do país mais líquido, o FRB, às 17h33, caía 4,85%, cotado a 82,50 centavos por dólar. No Brasil, o C-Bond também fechou em queda de 2,61%, cotado a 76,51 centavos por dólar.
A crise política brasileira também foi motivo de tensão para o mercado, mas em menor proporção. É consenso entre operadores de câmbio a possibilidade de cassação dos senadores Antônio Carlos Magalhões e José Roberto Arruda, depois do depoimento ontem da ex-diretora do Prodasen, Regina Célia, sobre a violação do painel de votação do Senado. O mercado teme que as investigações acabem respingando em integrantes do 1º escalão do governo e no próprio presidente Fernando Henrique Cardoso.
No mercado à vista, o comercial oscilou 2,25%, antes de fechar em alta pela quinta semana consecutiva. O giro financeiro no D2 somou US$ 1,850 bilhão, ante US$ 2,213 bilhões movimentados ontem.
Para as bolsas, o dia foi histérico. Cresceu exponencialmente a roda de apostas contra a Argentina e caíram as fichas restantes do risco que representa a crise política brasileira. A Bovespa despencou 5,09%, com volume financeiro de R$ 830 milhões. O Ibovespa futuro levou um tombo de 5,99%, para 13.820 pontos. A Bolsa de Buenos Aires derreteu 6,27%, pressionada por diversos rumores e preocupações com relação à sa© úde econômica e à habilidade do país em pagar sua dívida. Muitos investidores até defendem, segundo a agência Dow Jones, que o governo deveria cancelar o leilão de terça-feira de letras do Tesouro de 91 dias mais conhecidas como Letes , no valor de US$ 350 milhões, por causa das exorbitantes taxas de juros que o mercado provavelmente irá exigir.
Os juros dispararam nesta sexta-feira de pânico para os níveis mais altos do ano, com a convicção dos investidores de que a Argentina já está sofrendo um ataque especulativo contra o peso. O contrato de um ano fechou projetando juros de 23%.
(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)


