Cotação do café tem alta de 13% no mês
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quinta-feira, 28 de novembro de 2002
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O feriado de Ação de Graças, comemorado hoje nos Estados Unidos, deve manter o mercado de café estável até o encerramento da semana. A Bolsa de Nova York fechou ontem com alta de 10 pontos. Em Londrina, a saca do café tipo 6 bebida dura, verde, com bom aspecto e pouca catação, foi cotada entre R$ 165,00 e R$ 170,00. As informações são do corretor Marcos Bacetti. O valor é 13% maior que o preço praticado no início do mês.
''O mercado está em compasso de espera'', analisou o corretor. Com a proximidade do final do ano, as empresas estão fechando os compromissos de embarque e diminuindo o ritmo de negócios. A pouca variação na cotação do dólar também influenciou a acomodação dos preços.
Por causa da valorização da mercadoria, os leilões de opção para garantir preço mínimo aos produtores deixaram de acontecer. ''O preço para março seria de R$ 135,00, por isso não há interesse'', disse o engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, do Departamento de Café do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Os números oficiais sobre o encerramento da safra brasileira e a previsão sobre a próxima safra, previstos para serem divulgados em dezembro, são o fator com maior possibilidade de desestabilizar os preços. ''Tem gente falando em quebra de 60%. São essas informações que regularão o mercado daqui pra frente'', acrescentou Bacetti.
No Paraná, não há expectativa de quebra. De acordo com Lima, a previsão oficial para a safra que se encerra é de dois milhões de sacas. ''A próxima safra vai ficar perto desse número. O mercado trabalha com números entre 2,2 e 2,4 milhões de sacas.''
O otimismo é explicado pela boa situação das lavouras, que se desenvolvem em clima favorável. ''Está chovendo bem'', disse o técnico do Departamento do Café. Os tratos culturais, porém, ainda não são ideais, pois o preço dos insumos subiu na mesma proporção que a valorização do dólar.
Além disso, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, há mais de um mês, uma linha de R$ 300 milhões para financiar o custeio e a comercialização da safra, mas o Mapa ainda não repassou o dinheiro para os bancos porque não há recurso disponível no orçamento.
O pequeno cafeicultor Térsio Marcondes Batista, de Lerroville, não pleiteou financiamento para custear a safra. ''No ano passado os recursos já foram limitados, por isso não tentei'', comentou. Ele disse que, quando há recursos disponíveis, o próprio Banco do Brasil entra em contato para oferecer crédito. ''Mas até agora ninguém me procurou.''


