Cotação do café cai mesmo com retenção
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segunda-feira, 19 de março de 2001
Agência Estado Do Rio 
O Brasil terá retido 2,5 milhões de sacas de café até o final deste mês, como parte do programa internacional de retenção do produto, segundo afirmou ontem o secretário de Produção do Ministério da Agricultura, Paulo Cézar Samico. Segundo ele, que deixa hoje o cargo, apesar da retenção iniciada em junho do ano passado para elevar as cotações, o preço do café caiu 40% no período.
As contas do ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, apontam que a safra brasileira de café teve o valor reduzido de US$ 10 bilhões para US$ 6 bilhões, em dois anos. Segundo ele, o programa de retenção de café, definido internacionalmente pelos países produtores, é fundamental para evitar queda maior nos preços. O Brasil não fará qualquer mudança no programa de retenção, garantiu. A saída de Samico do Ministério gerou boatos no mercado de que haveria mudanças, o que foi desmentido pelo ministro. Ele será substituído por Pedro de Camargo Neto.
Pratini cobrou dos demais países produtores iniciativas para aumentar o consumo interno em seus territórios, o que está ocorrendo no Brasil. Segundo o ministro, o consumo brasileiro de café (acima de 12 milhões de sacas anuais) já responde por 50% do total dos países produtores.
Ele reiterou junto aos representantes dos cafeicultores do México, Colômbia e El Salvador, presentes no 3º Seminário Internacional do Café, realizado ontem e hoje no Rio, que é preciso adotar medidas complementares para reforçar o programa de retenção, como a realização de campanha para aumento nas vendas internas. Para o ministro, a elevação do consumo é um dos mais importantes passos para elevar a demanda e aumentar os preços do produto.
O Ministério da Agricultura está desenvolvendo, segundo informou o ministro, um programa para elevar as exportações de café industrializado (torrado e moído) do País. Ele não quis detalhar quais seriam os principais pontos do programa de incentivo.
Leilão Pratini também informou ontem que os leilões de café dos estoques oficiais estão suspensos. O próximo deveria acontecer no dia 11 de abril. Segundo o ministro o último leilão, do dia 14 de março, gerou pouco interesse, já que foram vendidas apenas 34,03% do total de 135.866 sacas ofertadas. A viabilidade de retomada dos leilões será analisada pelo Ministério.
Segundo o ministro, o governo já liberou na safra atual, que vai de julho do ano passado a junho deste ano, cerca de R$ 700 milhões em financiamento de custeio, colheita e estocagem de café. Ele disse ainda que os recursos liberados para a prorrogação dos débitos dos cafeicultores, do primeiro semestre deste ano para o primeiro semestre de 2002, correspondem a R$ 257 milhões.


