Cotação depende da vulnerabilidade das redes
Para o presidente da Safernet Brasil - organização que monitora a segurança da internet no País -, Thiago Oliveira, esses fatos mostram que o uso de moedas virtuais é arriscado. "Esse tipo de moeda pode estar imune a problemas do sistema financeiro tradicional, como inflação e crises econômicas, mas é extremamente afetado por novos tipos de crises. A cotação não flutua pelas leis de mercado, mas depende da vulnerabilidade das redes", diz.
Oliveira esclarece que, em muitos casos, o usuário pode perder mais dinheiro se for surpreendido por uma desvalorização da moeda virtual do que pagaria em impostos e tarifas nas transações reais. "Um pai que transfere dinheiro para o filho no exterior paga 6,38% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), mais tarifas bancárias. Se tivesse usado bitcoin, o filho seria prejudicado ao converter o dinheiro virtual em dólares porque a cotação caiu 8% nos últimos dias", explica.
Outro risco das moedas criptografadas, destaca o presidente da Safernet, consiste nos roubos virtuais. O anonimato nas transferências, que representa um atrativo para alguns adeptos, também torna impossível a localização do recurso furtado caso um cracker roube a chave privada que dá acesso à carteira virtual.
"As cédulas e os cheques têm número de identificação. Os cartões de crédito podem ser bloqueados. Mesmo o dinheiro furtado nos sites dos bancos vai para alguma conta corrente. No caso das moedas virtuais, a vítima não consegue rastrear para onde vão os recursos nem tem com quem reclamar", adverte Oliveira.(W.M./A.B.)





