As cotações internacionais da soja e do milho atingiram na última semana os maiores patamares em dois anos, de acordo com levantamento feito pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). A máxima chegou a US$ 11,79 por bushel da soja, bem acima dos US$ 10,78 de maio deste ano e dos US$ 9,53 de maio de 2015. Para o milho, o teto foi de US$ 4,31, ante US$ 3,90 no mês passado e US$ 3,80 em maio de 2015.
Colaboram para o aumento das cotações as quebras de safra por problemas climáticos no Brasil e os atrasos na colheita na Argentina, contabilizados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). Existe a previsão de que os Estados Unidos enfrentem seca entre julho e agosto deste ano, o que atrapalharia a próxima safra por lá. Entretanto, a USDA ainda não considerou possíveis perdas.
Responsável pelo relatório da Faep, a economista Tânia Moreira Alberti afirma que a cotação da soja já bateu em US$ 11,83 nesta semana. "As perdas de produção na América do Sul indicam que a exportação dos Estados Unidos deve aumentar", diz. O plantio está quase concluído nos EUA.

ESTOQUE
Ainda, houve queda na cotação do dólar ante o real nas últimas semanas, o que fez com que fundos de investimento trocassem as apostas na moeda norte-americana por commodities. A valorização se deu principalmente nos preços internacionais da soja, explica Tânia. "O produto da safra 2015/2016 já foi 70% vendido e o preço no mercado interno está bem acima do normal. O produtor que tem estoque deve fazer uma composição para tentar aproveitar as altas de preço."
Para o gerente técnico da Organização das Cooperativa do Paraná (Ocepar) Flávio Turra, o cenário faz com que o mercado interno também esteja rentável ao produtor. "A expectativa é que continuem a remunerar bem nesta e na próxima safra", diz. A cotação da soja dentro do Brasil era de R$ 81,64 a saca na última semana, ante R$ 56,80 há um ano.

Milho
No caso da segunda safra de milho, as ameaças de geadas preocupam, segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), já que apenas 1% da colheita foi concluída. "Tivemos redução da oferta interna e o clima nos Estados Unidos ainda deve ajudar a elevar o preço", conta Tânia.
O gerente técnico da Ocepar lembra que os preços internos para o grão estão, pela primeira vez, com paridade ao valor de importação. "Deu uma recuada com a colheita, mas as notícias de geada já devem elevar de novo. Só deve baixar com a colheita de verão, lá para março", diz.
Turra acredita que a área plantada de milho aumente para as próximas safras. Porém, diz que foram necessárias mudanças no comportamento de produtores de aves e suínos, que dependem dos dois grãos para a ração dos animais. "Quem faz integração ainda consegue remuneração, mas os independentes estão com prejuízo. E existe uma movimentação de redução de plantel ou de antecipação no abate de suínos, para reduzir os gastos", conta.

Imagem ilustrativa da imagem Cotação de milho e soja dispara
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