Curitiba - O aumento na cotação da soja está mascarando o deságio maior na venda da soja pelo produtor paranaense em relação ao produtor gaúcho. Há cerca de dois meses, o produtor paranaense está vivenciando uma situação inusitada com o aumento do prêmio negativo pago pela soja no Porto de Paranaguá.
Tradicionalmente o paranaense estava acostumado a ter seu produto mais valorizado em relação aos demais estados, o que não está acontecendo este ano, disse o assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque.
Conforme levantamento feito pelo Departamento Econômico da Faep, a média de preços da soja vendida no Paraná ficou em R$ 49,90 a saca na praça de Cascavel e R$ 51,34 na praça de Passo Fundo (RS). Em abril, a média de preços está em R$ 52 na praça de Cascavel e R$ 54 em Passo Fundo (RS), comparou a economista Gilda Borges.
A diferença em torno de R$ 1 a R$ 2 por saca não vem sendo percebida pela totalidade dos produtores porque o preço da soja está compensador, em torno de R$ 50 a R$ 52 a saca, disse o assessor técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. Ontem, a agência Safras e Mercados captou a venda de soja a R$ 53 na praça de Ponta Grossa e R$ 52 nas regiões norte e oeste do Paraná, enquanto a cotação no Rio Grande do Sul atingiu R$ 56 a saca.
Fosse uma situação de mercado mais ajustado em que as margens não fossem tão compensadoras, certamente o produtor estaria mais irritado porque não está acostumado a uma situação como essa, admitiu Turra. Para ele, o produtor paranaense não está habituado com o deságio do seu produto no porto.
Os produtores ou empresas com mais estrutura estão desviando a soja para outros portos para não se submeterem ao deságio de Paranaguá. Esse comportamento pode ser verificado através da queda da movimentação da soja em Paranaguá e aumento nos demais portos do País. Levantamento da Faep informa que no primeiro trimestre deste ano, o Porto de Paranaguá exportou 340,5 mil toneladas de soja em grão e este ano, praticamente a metade do que exportou no ano passado no mesmo período, quando exportou 704,3 mil toneladas no mesmo mês do ano passado.
Enquanto isso, o Porto de Santos (SP) exportou 608,7 mil toneladas de soja no primeiro trimestre do ano passado e 1,11 milhão de toneladas no mesmo período deste ano, o que corresponde a um aumento de 84%. A economista da Faep associou esse crescimento ao prêmio pago no porto paulista que está mais atraente aos exportadores.

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