Cotação abaixo de R$ 3,00 prejudica exportador
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio - Caso o dólar caia para cotação abaixo de R$ 3 a competitividade dos exportadores brasileiros pode ser comprometida, admite o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Ele disse que a moeda americana abaixo desse patamar ''acende alguma luz colorida'' no que diz respeito às exportações, ao responder à pergunta se há uma linha de cotação do dólar que preocupa o governo.
O diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, também avalia que o dólar pode cair até R$ 3 sem comprometer a competitividade, mas abaixo desse teto algumas empresas poderão enfrentar problemas. ''Se cair mais do que isso será preciso fazer as contas, pois as empresas que têm maiores custos para exportar podem perder rentabilidade.''
Furlan, que participou de congresso mundial de soja no Rio, admitiu que seria melhor o dólar variar menos. Ele não quis dizer se o governo teria algum instrumento para evitar a queda brusca da cotação da moeda americana. ''Não é da minha seara'', disse.
O ministro não vê problemas na queda do dólar até o momento. ''Se nós no ano passado exportávamos a R$ 2,30, porque não exportar a R$ 3?'', questionou. Segundo ele, há alguns setores que não serão atingidos, como o da soja, outros segmentos poderão recuperar preços com a valorização do real porque concederam descontos entre 20% e 25% nas exportações do ano passado, exatamente devido ao que chamou de ''rally do dólar''. Nesse caso, os compradores externos exigem descontos por causa da desvalorização da moeda local.
O governo mantém a meta de crescimento de 10% nas exportações em 2003 em relação aos US$ 60 bilhões do ano passado. ''Estou muito tranquilo com a meta e muito tentado a aumentá-la, mas o presidente recomendou que, com esta volatilidade e turbulência, é melhor aguardar um pouco.''
Augusto de Castro disse que a queda do dólar dos últimos dias não levará a AEB, pelo menos por enquanto, a rever qualquer projeção para o desempenho da balança comercial. A valorização do real frente ao dólar até o momento ''reduz um pouco a rentabilidade, mas não altera a competitividade'' das vendas externas, afirmou.
O economista explicou que em muitos casos as empresas firmam contratos de pelo menos um ano para exportar, especialmente nas vendas de manufaturados, e assim é estabelecida uma taxa de câmbio para vigorar no período contratado.
Citou como exemplo também o caso das commodities agrícolas, que têm preço definido no mercado internacional e estão com cotação adequada, independentemente da curva descendente do dólar no Brasil.


