Costa Neto pede demissão de Palocci e Meirelles
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segunda-feira, 15 de março de 2004
Christiane Samarco, João Domingos e Tânia Monteiro<BR>Agência Estado 
Brasília- Um duro ataque feito ontem pelo presidente nacional do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), à política econômica era a crítica que faltava para que a oposição ao modelo do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, virasse um coro da base aliada do governo. O partido junta-se ao PT, PC do B e PMDB, que, nas duas últimas semanas, em declarações e notas, deixaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva isolado na defesa do programa. Costa Neto pediu ontem a demissão de Palocci e do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles.
''Nenhum dos dois tem condição de ficar no governo'', afirmou, dentro do Palácio do Planalto, durante a cerimônia de posse do novo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.
Endossadas por setores expressivos de todas as outras legendas que sustentam Lula no Congresso (PSB, PPS, PTB e PP), esses ataques têm como grande motivação a pressão das urnas. Preocupados com os efeitos que os números negativos da economia terão sobre os eleitores, especialmente em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e ao emprego, os aliados de Lula avaliam que a oposição poderá ter munição suficiente para as campanhas municipais.
Esse cenário foi agravado pelo escândalo envolvendo o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz, que atingiu o governo do PT no patrimônio mais valioso - que é a ética. A insistência e a disseminação dos ataques tornou inócuo o apelo do presidente por um pacto de convivência com o chamado ''fogo amigo''.
Ontem, após as manifestações do presidente nacional do PL, a dúvida que ficara era quanto ao vice-presidente José Alencar. Crítico assíduo da política monetária e, mais recentemente, defensor da comissão parlamentar de inquérito (CPI), Alencar poderia avalizar as críticas do colega de partido. Os dois reuniram-se hoje à tarde, no Palácio do Jaburu, e no início da noite, no Palácio do Planalto. ''Há uma insatisfação, o Palocci é um cidadão que decide economia por conta própria e faz isso junto com o Meirelles, que é um homem que não tem afinidade com o PT, com o governo e com a aliança dos partidos'', disse Costa Neto.


