A Companhia de Seguros de São Paulo (Cosesp) já admite que não tem recursos suficientes para pagar as indenizações dos sinistros provocados pelas geadas no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A empresa alega que está aguardando o Governo Federal depositar o que deve ao Fundo de Estabilização do Seguro Rural. O Governo Federal, por sua vez, só deve fazê-lo no final de agosto ou início de setembro.
O Fundo de Estabilização do Seguro Rural é administrado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e constituído pelo depósito de 50% do lucro das empresas seguradoras. O maior volume de recursos, porém, vem da taxa de corretagem das operações do seguro rural. Conforme a diretoria da Cosesp, o débito do Governo com o Fundo é de R$ 116 milhões. Somado aos R$ 73 milhões ainda existentes no Fundo, seriam utilizados para pagar os sinistros registrados nos três Estados. ‘‘Mesmo com o depósito do Governo Federal, o tacho do Fundo será raspado’’, disse um assessor da Cosesp.
Dos R$ 189 milhões devidos em seguro pela Cosesp, 80% da dívida está no Paraná, que é o melhor mercado para a empresa. Enquanto não liquidar seus débitos com os agricultores, a empresa se recusa a fazer novos contratos de seguro da safra de verão que começa ser plantada.
Diante da possibilidade de atrasar o pagamento do seguro pela Cosesp, a Federação da Agricultura do Paraná já acionou a bancada paranaense no Congresso Nacional. A entidade coloca dúvidas sobre a disposição do Governo em depositar o dinheiro. Um atraso no pagamento do seguro pode comprometer o plantio da safra de verão, já que 90% dos produtores rurais com seguros e que perderam suas lavouras dependem desse pagamento para a nova safra.
É o caso de um produtor de Arapongas, norte do Paraná, que não quis se identificar temendo retaliações. Ele plantou 27 alqueires de milho safrinha e 36 alqueires de trigo. Pagou R$ 4,5 mil de taxa de seguro e perdeu 100% das lavouras com as geadas. Está esperando uma indenização em torno de R$ 32 mil. Com o dinheiro quer pagar o financiamento de custeio, em um total de R$ 44 mil.
Seu maior medo é ter recusado o financiamento para a safra de verão. O pedido está sendo analisado e o produtor teme que o banco exija o pagamento do custeio da safra de inverno para conseguir novo crédito.

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