Pelo menos soja e milho já podem ter um seguro alternativo ao Proagro. Trata-se da Companhia de Seguros do estado de São Paulo (Cosesp) que está fazendo o seguro rural no Paraná, inicialmente apenas com essas duas culturas de verão. Até ontem a Cosesp havia fechado poucos contratos em função do atraso dos financiamentos. Carlos Eduardo Rodrigues, da área de Planejamento da Cosesp, acredita que a procura deve aumentar com a liberação de financiamento.
As taxas cobradas pela Cosesp são mais altas que o Proagro mas o pagamento de indenizações é garantido e rápido, o que dá mais segurança ao produtor, afirmou Jorge Proença, da assessoria econômica da Faep. Para a soja a taxa é 5,5% sobre o valor segurado e para o milho, 6,5%. Segundo Rodrigues a tendência dessas taxas é recuar de acordo com o número de contratos. Isso porque a empresa não recorre ao tesouro estadual ou federal para cobrir rombos, e por isso precisa compor uma escala, justificou Rodrigues. Ele ressalta que os produtores que efetuarem o plantio com recursos próprios também podem recorrer ao seguro da Cosesp.
Rodrigues apontou como vantagens desse seguro a garantia de pagamento de 120% sobre o valor do financiamento efetuado nas coberturas de granizo, tromba d’água, seca, vendaval, incêndio e raio, ventos frios e fortes, chuvas excessivas, geadas e variação excessiva de temperatura. Em caso de prejuízo total (em toda a área ou parte dela) a Cosesp indeniza no máximo em 15 dias, após o recebimento da documentação completa. A indenização é feita conforme o estágio da cultura, explicou.
Para o representante da Cosesp a atuação no Paraná esse ano está sendo considerada piloto. Por isso decidiu cobrir apenas milho e soja, produtos com os quais a empresa já está acostumada a trabalhar em São Paulo. Além disso pela semelhança das culturas nos dois estados fica mais fácil para quem está entrando num mercado novo, afirmou. Para o ano que vem a tendência da empresa é ampliar a cobertura no estado para cana-de-açúcar, algodão e uva.
Faep Jorge Proença, da Faep, acredita que o seguro da Cosesp é uma boa alternativa ao Proagro, porque a empresa vai trabalhar em regime de competição. Suas taxas são mais altas mas o pagamento da indenização garantido tranquiliza o produtor. Proença ressalva que o Proagro está recuperando sua capacidade de pagamento aos poucos. Com a redução de riscos em função de adoção de mais tecnologia nas lavouras e técnicas de zoneamento agrícola estão diminuindo as indenizações, o que está resultando em superávit. Com isso o Proagro começou a pagar suas dívidas mas ainda mantém uma déficit avaliado em R$ 200 milhões dos débitos não pagos de sinistros ocorridos entre 1991 e 1996.
Este ano o Proagro aumentou a cobertura para as culturas de verão que antes era restrita a granizos, vendaval, tromba d’ água e seca. Agora cobre também pragas e doenças que não tem controle e ainda tromba d’ água antes da emergência. As taxas variam de acordo com a cultura e tipo de financiamento. Para os contratos do Pronaf o Proagro cobre todas as culturas com taxas de 2% sobre o valor segurado. Se a cultura for irrigada a taxa é reduzida para 1,7%.
Fora dos contratos do Pronaf as culturas de arroz e feijão são taxadas em 6,7% no plantio convencional e 5,7% no plantio direto. O algodão, milho e soja pagam 3,9% no plantio convencional e 2,9% no plantio direto. O trigo não irrigado paga 4% no plantio convencional e 3% no plantio direto. E o trigo irrigado paga uma taxa de 1,7%.

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