A partir de meados da semana que vem, os produtores que perderam suas lavouras em função da estiagem e geadas, e por isso vinham pleiteando o pagamento do seguro rural, começam a ser indenizados. O governo está repassando R$ 73,7 milhões do Orçamento Federal para o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que permite à Cosesp (Companhia de Seguros do Estado de São Paulo) fazer os pagamentos.
O pagamento dos sinistros chega com pelo menos dois meses de atraso porque o governo federal não havia liberado o dinheiro do Fundo, que dá o suporte financeiro para a empresa de seguros fazer os pagamentos. O volume de recursos ainda é insuficiente para pagar todos os sinistros ocorridos esse ano.
A Cosesp tem R$ 125 milhões a pagar em indenizações, sendo R$ 100 milhões no Paraná, R$ 22 milhões em São Paulo e o restante nos estados de Minas Gerais e Mato grosso do Sul. As variações do clima provocaram perdas acentuadas nas lavouras de milho, trigo e café. Mesmo com o repasse autorizado pelo Congresso, ainda fica um buraco de R$ 50 milhões, afirma o assessor da Cosesp, Fernando Granato. Por isso ‘‘ nós consideramos que o primeiro round está ganho, mas a luta ainda não’’.
Segundo Granato, além dos recursos liberados o governo federal ainda deve R$ 116 milhões ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que cobre com folga o volume de dinheiro necessário para pagar todas as indenizações. Com o dinheiro que já está em caixa, a Cosesp vai atender os pedidos que chegaram primeiro.
A Cosesp vai pleitear que os recursos arrecadados pela companhia de seguros e administrado pelo Instituto de Resseguros do Brasil, deixem de ser considerados parte do orçamento da União. Para se ter uma idéia, com essa sistemática, a Cosesp só podia gastar até R$ 2 milhões do orçamento da União para o pagamento de indenizações, esse ano. ‘‘ Em se tratando de clima, como prever uma tragédia que ocorreu esse ano que fizeram explodir os pedidos de cobertura do seguro’’, afirmou.