O programa original da Sanepar para investimentos em saneamento básico em todo o Estado foi reduzido praticamente pela metade desde a sua concepção em 1997. A queda brutal nos recursos ocorreu devido a uma decisão do governo federal que suspendeu praticamente todas as linhas de crédito para empresas estaduais de águas e esgoto. O fechamento da torneira dos financiamentos com juros subsidiados não atingiu apenas o Paraná, mas todas as companhias de saneamento do País. O resultado é uma previsão alarmista para o futuro, que poderá contribuir ainda mais para reduzir o crescimento econômico nacional.
Se nada for feito a curto prazo, o País pode mergulhar na falta de água, o que levaria o setor econômico à queda de produção semelhante ao que ocorreu devido ao racionamento de energia. Os prejuízos para a indústria seriam semelhantes aos causados com a falta de energia. Essa análise tem sido feita por grupos empresariais de São Paulo, onde a falta de água está mais presente.
''Caso a situação continue assim, podemos prever um apagão da água. Seremos um País sem luz e sem água'', alerta o presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira de Freitas, ao fazer um jogo de palavras com a situação vivida hoje pelo Brasil no setor energético.
O presidente da Sanepar não poupa críticas à política do governo federal. ''Há uma total falta de vontade política em melhorar o saneamento no País. Não acredito que faltem recursos. O que há é uma falta de sensibilidade'', reclama.
Teixeira faz o alerta e diz que a situação é preocupante. ''A Sanepar está com as luzes amarelas acesas'', afirma. Ele garante, no entanto, que a redução nos investimentos não comprometeu a qualidade do serviço prestado, apenas se deixou de ampliar o saneamento para regiões onde ainda carentes.
O tom alarmista do presidente da companhia parece exagero quando se olha os números do balanço da Sanepar. Os relatórios mostram que o investimento em água e esgoto cresceu de R$ 54 milhões, em 1995, para R$ 217 milhões, em 2000. Mas para o presidente, seria necessário pelo menos o dobro da injeção de recursos.
Os investimentos da Sanepar cresceram por uma feliz coincidência. A empresa havia conseguido, em 1997, um financiamento internacional junto à instituição financeira do Japão. ''Só não caíram os números, porque havia contrato estrangeiro'', diz o presidente da Sanepar.
Os recursos do 'Paraná San' foram de US$ 392 milhões (quando o dólar valia um real), sendo que já foram investidos R$ 150 milhões. ''Todo o lucro que a Sanepar tem tido vai direto para a contrapartida exigida'', diz Teixeira.
No entanto, as obras estão com um ano de atraso, devido ao bloqueio do Senado Federal na aprovação da operação financeira.

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