Cortes inviabilizam meta de emprego na construção
A crise financeira e o corte de 37,1% no orçamento de 1999 dos projetos do programa Brasil em Ação inviabilizarão a promessa de geração de 1 milhão de novos empregos nos próximos dois anos, feita pelos empresários da construção civil, durante almoço-homenagem ao presidente Fernando Henrique Cardoso, no último mês de agosto. Agora, a perspectiva é de corte das atuais 500 mil vagas em infra-estrutura.
Do total de 1 milhão de empregos, 38%, ou 388 mil vagas, seriam geradas em obras de infra-estrutura ligadas à construção, como rodovias e obras de saneamento urbano. A partir do anúncio do corte, 145 mil das 194 mil vagas a serem geradas no ano que vem já estão inviabilizadas, disse o presidente do Fórum da Construção Pesada, Paulo Godoy. As 49 mil vagas restantes também são incertas.
Esses empregos dependeriam de quatro circunstâncias: 1) se a lei Camata for regulamentada, haveria recursos disponíveis para investimento; 2) não se sabe ainda o impacto da recessão na arrecadação dos impostos, que poderia reduzir ainda mais o volume de recursos disponíveis; 3) se o pacote de ajuda externa e o programa de estabilidade forem bem aceitos no exterior, as linhas de financiamento voltariam; 4) o ritmo da queda dos juros.
Se essas circunstâncias não se apresentarem, haverá redução dos atuais empregos, afirmou Godoy. Hoje existem 500 mil vagas diretas na construção em obras de infra-estrutura, em todo o País. Cada 10% de queda no nível de atividade implica a redução de 50 mil empregos.
As vagas atuais seriam perdidas caso não houvesse novas contratações que substituíssem as obras que já estão em execução. Se isso acontecer, as empresas partirão para o enxugamento, afirmou Godoy. A partir de melhoras na conjuntura macro-econômica, o setor da construção civil seria, no entanto, o primeiro a reagir. Sou um otimista e acho que o Brasil vai dar a volta por cima já a partir de abril, disse o presidente do Fórum da Construção.Arquivo FolhaCada 10% de queda no nível de atividade elimina 50 mil empregosAgência Estado





