Cortes chegaram ao limite máximo
O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem que os cortes orçamentários chegaram ao limite máximo, mas avisou aos investidores e seus ministros: eles serão mantidos. Fernando Henrique negou ainda novo aumento das taxas de juros, ressalvando, entretanto que não é ele e sim a força de mercado quem decide sobre o aumento ou a queda de juros. Os juros já foram aumentados e não posso sacrificar o País por causa de uma ganância que não tem base numa situação real, e quer, simplesmente, aproveitar uma conjuntura internacional, afirmou.
Ao declarar a influência do mercado sobre os juros, o presidente fez questão de acrescentar que esta afirmação não refletia uma ameaça sua. Existem limites, não é do meu estilo (fazer ameaças) e nem sou eu quem está acompanhando o dia-a-dia, justificou-se. Mas acho que não se justifica outro aumento de juros nesse momento.
Fernando Henrique afirmou entender algum nervosismo do mercado, mas afirmou que o mercado tem de se acalmar. O presidente acrescentou que, por ter responsabilidade política, tem mais preocupação com a tranquilidade do povo e do Brasil. O presidente acredita que provavelmente há uma percepção inadequada das medidas profundas anunciadas pelo governo na última terça-feira.
Não é fácil um governo, às vésperas das eleições, tomar medidas que significam um corte muito grande, num orçamento que já foi muito cortado, desabafou o presidente. Nós chegamos ao limite máximo do que é possível fazer, sem comprometer as atividades necessárias ao funcionamento do País, disse. Nós não tomamos nenhuma medida que não fosse bem pensada, essa medida é uma medida de profundidade.





