Corte pode afetar comercialização
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terça-feira, 26 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O governo cortou recursos no orçamento para operações de Empréstimos do Governo Federal (EGF) e, na avaliação de especialistas do setor agrícola, a medida poderá afetar a comercialização da safra a partir do mês que vem. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, disse que o Ministério da Fazenda foi obrigado a tirar recursos do EGF para manter a programação de recomposição dos estoques oficiais. Com isso diminuiu o volume de recursos disponíveis para apoio à comercialização da safra, admitiu.
Segundo o secretário, as operações de EGF serão feitas apenas com recursos das exigibilidades bancárias - parcela dos depósitos à vista que os bancos aplicam na agricultura - e ficará a critério das instituições financeiras operar ou não com essa linha. Os empréstimos têm prazo médio de seis meses e permitem ao produtor carregar seu estoque pelo período para evitar queda de preços no mercado. Na avaliação de técnicos do Ministério, um dos setores mais prejudicados com a medida será o de sementes, onde as operações de EGF têm prazo mais longo, de 270 a 300 dias.
O Ministério da Agricultura está negociando com o Banco do Brasil a abertura de uma linha de crédito específica para EGF- sementes, com recursos das exigibilidades. O temor dos técnicos do ministério é que os produtores de semente coloquem o produto no mercado por falta de recursos, comprometendo o plantio da próxima safra, principalmente de milho. Sem apoio do governo, as pequenas empresas nacionais não têm como concorrer com as multinacionais que atuam no mercado, disse um dos técnicos.
A preocupação da Associação Brasileira das Empresas de Sementes (Abrasem) é que a oferta de sementes de qualidade de soja também seja prejudicada na safra de verão. O mercado de sementes de soja movimenta R$ 450 milhões por ano, e a falta de recursos para apoio à comercialização poderá facilitar a entrada de multinacionais no setor, avalia o diretor-executivo da Abrasem, João Henrique Hummel.


