Curitiba - O corte de R$ 28 bilhões no orçamento anunciado pelo governo federal foi mais uma medida para tentar conter a inflação. O principal efeito disso pode ser a estagnação da economia. Com isso, as expectativas são de que o Produto Interno Brasileiro (PIB) não cresça mais que 2,5% neste ano. Em função deste cenário, deve ocorrer uma redução de investimentos no País, de acordo com especialistas ouvidos pela Folha.
Como a redução na Selic (taxa básica de juros da economia) demora para chegar aos preços e provocar queda na inflação, o governo adotou este corte no orçamento, segundo o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço. ''O aumento dos juros eleva a despesa financeira do governo e, para compensar isso, o governo decidiu cortar os seus gastos correntes'', explicou. Mesmo assim, ele acredita que o governo continue a elevar os juros.
Para ele, a ''política econômica do governo está funcionando na base na improvisação, apagando focos localizados de incêndio''. Lourenço acredita que, com todo este cenário, a retomada dos investimentos no Brasil fique para 2015. Isso tudo também dificulta as parcerias com o setor privado, o que é negativo para o desenvolvimento do País.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que o lado positivo da medida é que o governo passa a controlar mais as suas contas. Por outro lado, isso vai significar uma desaceleração da atividade econômica. ''É uma medida para tentar combater a inflação'', disse.
Ele acredita que o corte no orçamento, embora menor do que os cortes feitos anteriormente, traga impactos negativos para a indústria nacional. O setor industrial do Paraná não deve ser tão atingido por conta da safra agrícola.
O professor do curso de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Magno Bittencourt, disse que, com o corte orçamentário, o governo quer atingir o superavit primário, ou seja, conseguir pagar os juros da dívida. O lado negativo da redução no orçamento é que, com certeza, ocorrerão cortes de investimentos, segundo ele. ''Isso pode afastar investimentos estrangeiros e postergar os investimentos internos'', alertou. Hoje, o Brasil investe 18% do PIB, quando o ideal seria aplicar 25%.

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